Arquivo da tag: Tecnologia

Adeus, Windows XP

Este 8 de abril será o último dia do suporte ao Windows XP. Ou seja, daí pra frente, nada de atualizações e pacotes de segurança. Adeus a drivers e suporte a hardware. Enfim, foi bom enquanto durou…

Lembro que na época do lançamento, no início dos anos 2000, o XP foi revolucionário. Depois dos Windows 95 e 98 – que incorporavam recursos multimídia – e do fracassado Windows ME (Millenium Edition), a Microsoft colocava no mercado um sistema mais adaptado para as redes e a internet. Incorporando tecnologias do NT – versão do SO voltada para servidores – chegou às prateleiras o Windows XP (de eXPerience).

Com o fim do Windows XP, meu netbook vai virar máquina de escrever.

O que significa o fim do suporte ao Windows XP? Que meu netbook vai virar máquina de escrever.

E, de fato, no seu tempo, usar o XP foi uma experiência. Não apenas pela maior facilidade de acessar as redes, mas também pela estabilidade do sistema. Pra quem estava acostumado com a “tela azul da morte” nos Windows 9x, poder matar os aplicativos travados pelo Gerenciador de Tarefas – sem ter que reiniciar o computador – já era uma grande coisa.

Talvez por isso o XP tenha conquistado tantos adeptos até hoje. Inclusive uns teimosos, como eu. Ainda tenho ele instalado num netbook Atom com 1GB de RAM. Não quis instalar outro sistema pra não sobrecarregar um hardware já meio obsoleto. Agora, não tive como fugir da obsolescência. O software perdeu o prazo de validade.

Anúncios

Lubuntu: fôlego novo para micros antigos

Um dia desses descobri o Lubuntu: uma versão light do Ubuntu, uma das principais distribuições GNU/Linux.

De fato, o Ubuntu se tornou quase um standard do Linux, devido à facilidade de instalar e manter o sistema, a um bom conjunto de programas e a um invejável suporte a hardware. Tudo muito automatizado e intuitivo, contrariando aquele estigma de que o Linux seria um sistema para os geeks. Usuários “normais” podiam usar o Ubuntu sem maiores problemas (disso eu tenho exemplos na minha família…).

O problema é que, com o passar do tempo e com a contínua obsolescência do hardware dos computadores, o Ubuntu foi se tornando pesado, demasiado pesado para micros mais antigos.

Eu já tinha pensado em aposentar um notebook Celeron M, com hoje míseros 512 MB de memória RAM. O pobre micro sofria pra rodar o Ubuntu 12.04. Era preciso escolher: ou navegar na internet (no Mozilla Firefox) ou escutar música (no Rhythmbox). Se fizesse as duas coisas ao mesmo tempo, podia esperar que logo o sistema começava a travar, com a luzinha do HD piscando direto com os acessos à memória virtual.

LXDE + Ubuntu = Lubuntu

LXDE + Ubuntu = Lubuntu

Mas com o Lubuntu, o “velhinho” ganhou fôlego novo. Instalei a versão 13.04 e hoje consigo não só navegar na internet — com várias abas abertas, blogando aqui no WordPress — e escutar música junto, como rodar a atualização de programas, o editor texto… tudo ao mesmo tempo! O sistema só dá umas travadinhas quando está desempacotando as atualizações — o que é perfeitamente aceitável.

Como o Lubuntu conseguiu esse “milagre”? A turma dessa distro parece ter sido inspirada pelo lema “small is beautiful”. O Lubuntu aposta num conceito minimalista, usando o gerenciador de janelas LXDE, bem mais simples que Gnome, KDE ou o Unity (dos últimos Ubuntus). Além disso, os programas padrão são bem mais leves também: ao invés do Firefox, o Chromium (uma versão aberta do Google Chrome); no lugar do Rhythmbox, o Audacious (com uma nostálgica interface tipo WinAmp); substituindo a suite LibreOffice, temos o Abiword (processador de texto) e o Gnumeric (planilhas). Talvez esses substitutos não tenham tantos recursos quanto os “titulares”, mas o bom desempenho num hardware modesto compensa a troca.

Gnome Mplayer na interface minimalista do Lubuntu

Gnome Mplayer na interface minimalista do Lubuntu

Fora isso, o Lubuntu tem seu lado Ubuntu também, no que diz respeito à facilidade de instalação e configuração. Depois de baixar a imagem no site oficial, é possível criar um disco de boot num pendrive, usando o UNetbootin. Com esse pendrive você pode usar o sistema sem instalá-lo (como um LiveCD), ou então fazer a instalação a partir dele. Chama a atenção o fato de que você pode autorizar o acesso a pacotes “proprietários” (que envolvem direitos de terceiros, como no caso da tecnologia do MP3 e outros drivers), que eles são baixados automaticamente logo na instalação. Essa era uma dor de cabeça pra mim quando instalava o Ubuntu: sempre precisava autorizar o acesso aos repositórios Multiverse e Medibuntu. Mais uma vez o Lubuntu me surpreendeu positivamente.

Por fim, só posso elogiar a iniciativa do pessoal do Lubuntu. Graças a ela proprietários de micros mais antigos podem dar um fôlego novo às suas máquinas, incapazes de rodar os SOs mais atuais (Windows 7, Windows 8 e mesmo o Ubuntu), sem ter que recorrer às “complicações” das distros Linux destinadas a um público mais geek (como Slackware e Debian). Valeu Lubuntu!

Várias tarefas simultâneas usando menos de 300 MB de RAM

Várias tarefas simultâneas usando menos de 300 MB de RAM

Brazilian Way of Life

Dia desses fiquei sabendo que o Brasil ultrapassou o Reino Unido, assumindo a 6ª posição entre as maiores economias do mundo.

Tomado por um certo ufanismo patriotário, digno de narrador esportivo que exalta as conquistas do Brasil-sil-sil, confesso que fiquei com uma pontinha de orgulho da ascensão tupiniquim.

Mas logo lembrei que não se tratava de competição esportiva alguma. E que o tamanho de uma economia, ou seja, a quantidade de riquezas produzidas, nem sempre quer dizer melhoria na qualidade de vida.

E isso ficou claro quando hoje, caminhando calmamente pelas ruas da minha cidade natal, Jacareí, quase fui atropelado. Não, eu não estava tentando atravessar a rua. A calçada estava em obras e eu tive que me desviar. Foi só colocar o pé no asfalto que uma moto surgiu na minha frente — o motoqueiro me deu uma fechada, estacionando a moto. Logo atrás de mim, um carro avançava sobre a calçada, sem o menor constrangimento de fazer do passeio público um estacionamento para o seu brinquedinho. O pedestre, esse cidadão de segunda categoria, que se vire.

Aliás, o trânsito é a maior expressão de que há algo errado com o nosso “progresso”.

Sim, pois o automóvel ainda é o maior símbolo da modernidade capitalista: a potência do motor a explosão, a velocidade, o encurtamento das distâncias, em suma, a promessa da liberdade ilimitada. Uma máquina que não pode existir sem colocar em movimento toda uma massa de forças produtivas e de relações sociais de produção.

Essa longa fila de carros é culpa do “progresso”

De modo que a massificação do automóvel, infelizmente, não me parece revelar qualquer tipo de democratização, pelo contrário. Alguém pode me acusar de elitista, mas sem razão. Isso porque não estou assumindo um discurso reacionário, a la Luis Carlos Prates, que põe a culpa de todas as mazelas do trânsito aos pobres que finalmente conseguiram comprar um carro.

O buraco é mais embaixo: o próprio automóvel é o problema. Como já dizia André Gorz, o veículo motorizado individual foi, desde os primórdios, um meio de transporte essencialmente burguês: por um lado, vende a ilusão de uma liberdade individual ilimitada; enquanto por outro, coloca os indivíduos em constante oposição, cada um vendo o outro como mero obstáculo para a realização do seu próprio objetivo. Além disso, trata-se de um meio de transporte que se baseia na lógica do privilégio. Pois eu só posso me mover mais rápido que os outros se apenas eu tenho um carro — e a via livre pela frente. A partir do momento em que todo mundo dispõe de um carro, ninguém se move: estamos todos no mesmo congestionamento.

Fico lembrando do meu tempo de menino, em que lamentava o fato de que Jacareí não tinha viadutos, shopping centers, grandes supermercados… Parecia que eu vivia num rincão “à margem do progresso”. Ainda mais quando a grama da vizinha São José dos Campos parecia tão verde: além de tudo isso que minha cidade não tinha, eles tinham a Embraer, a GM, o CTA — e um montão de carros.

Hoje quando vejo o “progresso” chegando à minha cidade natal, com seus incontáveis carros e motocicletas e afins, fico pensando que eu era feliz e não sabia: não vivia numa cidadezinha qualquer de Drummond; tampouco vivia num inferno motorizado, em que não se pode andar na rua sossegado.

Mas o que é que estou praguejando? Graças ao “brazilian way of life”, hoje somos a 6ª economia do mundo. Consumamos até não poder mais! Eis o 11º mandamento.

Lula e Jobs: dois gênios e duas medidas

Arrisco-me a uma comparação que pode parecer inusitada, se não absurda. Mas acho que entre o ex-presidente Lula e o ex-CEO e fundador da Apple Steve Jobs existem mais semelhanças do que pode parecer à primeira vista. Apesar disso, a imagem que nossa imprensa nativa (como diz Mino Carta) construiu desses personagens não poderia ser mais divergente. Qual a explicação para esse fenômeno? Ou minha suposição estaria errada? É o que proponho investigar no decorrer deste post.

Dois gênios, duas medidas e uma imprensa mesquinha

Dois gênios

Antes, para que fique claro, entendo por gênio um sujeito dotado de habilidades extraordinárias, capaz de realizações inalcançáveis por pessoas normais. Ou seja, capaz de realizar coisas que um simples mortal seria incapaz.

Para mim, tanto Lula quanto Jobs são gênios. Mas minha opinião é irrelevante. Entretanto, não sou só eu que o diz. A imprensa especializada, setores da academia, a opinião pública, enfim, a sociedade em suas várias manifestações tende a reconhecer a genialidade desses dois personagens.

No caso de Lula, um exemplo do reconhecimento de sua genialidade política foi o título de doutor honoris causa concedido pelo instituto francês Sciences Po — Lula foi o primeiro latino-americano a receber tal homenagem. Segundo o diretor do instituto, Richard Descoings, Lula teria “mudado a imagem do Brasil”. Ainda mais expressiva que o título concedido pelo o instituto francês foi a taxa de popularidade com que o ex-presidente encerrou seu mandato, de 87% de aprovação.

Jobs, por sua vez, ficou conhecido como o responsável por mudar a história da computação pessoal. Os computadores, até então máquinas pouco amigáveis, tornaram-se indispensáveis nos lares dos consumidores de todo mundo com as criações da Apple de Jobs: primeiro o Apple II, depois o Macintosh, e, já a partir da década de 1990, o iMac, iBook, iPod, iPhone e, por fim, o iPad.

Um detalhe curioso, mas extremamente relevante, é que tanto Jobs quanto Lula não tiveram formação universitária. O que não os impediu de mudarem o mundo em suas áreas de atuação. A trajetória dessas duas figuras, no entanto, não foi isenta de controvérsias.

O primeiro governo de Lula foi marcado por um dos maiores escândalos de corrupção do país: o escândalo do mensalão, no qual haveria um esquema para a compra de votos de parlamentares em troca de apoio ao governo.

Ademais, Lula foi objeto de críticas tanto da direita quanto da esquerda. Os setores mais conservadores acusavam-no de pouco capaz — muito em função de não possuir formação universitária e domínio de uma língua estrangeira –, sendo o sucesso de seu governo um mero reflexo de uma conjuntura internacional favorável ao Brasil. Já os setores mais à esquerda acusaram Lula de fazer pactos com forças conservadoras, historicamente antagônicas, evitando confrontar diretamente os interesses das elites dominantes do país — evitando, por exemplo, a realização de uma reforma agrária que fosse de encontro aos interesses dos latifundiários.

O caráter inovador de Jobs, por sua vez, muitas vezes foi questionado. O filme Pirates of Silicon Valley conta como, nos primórdios da Apple e Microsoft, essas empresas se valeram da cópia de ideias para emplacar seus produtos. A interface gráfica, o grande atrativo do Macintosh da Apple, foi uma ideia originalmente desenvolvida pela Xerox e reproduzida por Jobs e sua equipe. Mais tarde essa ideia seria apropriada pela Microsoft de Gates.

Além desse questionamento da originalidade dos produtos da Apple, veio à tona nos últimos anos uma polêmica envolvendo as péssimas condições de trabalho nas linhas de montagem dos produtos da marca norte-americana. Uma onda de suicídios assolou a Foxconn, empresa responsável pela montagem de produtos da Apple na China. Expostos a jornadas de trabalho intermináveis, muitos operários preferiram tirar suas próprias vidas.

Tudo isso para mostrar que, embora gênios, nem um nem outro foram unanimidades. Inegável é que ambos tiveram um notável talento e um inigualável carisma para que as pessoas acreditassem naquilo que fizeram e, desse modo, conferissem realidade aos seus feitos. Lula foi capaz de convencer brasileiros e estrangeiros de que seu governo mudou o país. Jobs foi capaz de convencer pessoas de todo mundo que a Apple havia mudado sua relação com os computadores.

Duas medidas

Depois de ter exposto os motivos pelos quais acredito que hajam semelhanças entre Lula e Jobs, quero mostrar a forma assimétrica como ambos são tratados por um segmento em particular: a grande imprensa brasileira.

Se por um lado o político brasileiro é tratado como um fanfarrão, como um grande sortudo pela conjuntura internacional favorável durante o seu governo — ou seja, que o sucesso do governo se deve exclusivamente à fortuna, sem um pingo de virtude –; o ex-CEO da Apple, após sua morte e mesmo antes dela, era retratado como o visionário, o empreendedor, o inovador — enfim, o gênio da tecnologia. É curioso ver como a mesma imprensa lida de forma tão diferente com dois sujeitos que, reconhecidamente, conseguiram realizar grandes feitos em suas áreas — com todos os poréns já mencionados.

Essa assimetria fica ainda mais evidente agora, quando o ex-presidente Lula teve um câncer na laringe diagnosticado. Jobs, como se sabe, foi vítima de um câncer no pâncreas. No caso do ex-presidente, alguns comentaristas da grande imprensa se prontificaram a explicar a doença como decorrência de uma vida “desregrada”, dos maus hábitos de beber e fumar — ou seja, o esforço tem sido no sentido de culpar a vítima pela doença. No caso de Jobs, o que se via era uma apreensão com a doença do ex-CEO. Afinal, como nosso mundo poderia viver sem ele, o guru da inovação e da tecnologia? Ademais, enquanto fixava um olho no estado de saúde de Jobs, a imprensa dirigia o outro olho em direção ao mercado (como ele reagiria diante da doença do gênio da informática).

Uma explicação

Diante desses fatos, estou convencido de que nossa imprensa sofre de um agudo complexo de vira-lata. Se falamos de um gênio nascido em terras estrangeiras — de preferência, nos EUA –, nossa imprensa nativa não hesita em lhe render glórias, em que pesem todos os argumentos que poderiam colocar em dúvida sua genialidade. Por outro lado, quando se trata de um gênio nascido nestas terras brasileiras, o olhar que a grande imprensa lhe dirige é um olhar de desconfiança e, talvez, de um certo rancor — ainda mais se ele for nascido no Nordeste. Desconfiança de que algo que preste seja feito abaixo do Equador. Rancor de que alguém fora dos cânones de uma “elite branca” (para usar a expressão do ex-governador de SP, Cláudio Lembo) possa sobressair e ser reconhecido.

Enfim, sou levado a concluir que nossa grande imprensa tem uma ponta de nostalgia dos tempos do Brasil colônia.

Baixando vídeos do YouTube para o PC no Linux

O YouTube é uma mão na roda. Facilitou a vida tanto de quem quer divulgar quanto de quem quer ter acesso a conteúdos em vídeo. Ainda mais quando o acesso à internet por banda larga torna-se cada vez mais popular.

Porém, nem tudo é perfeito. Pra quem ainda usa net discada — ou pra quem a banda larga é banda lerda — , assistir aos vídeos on demand é uma luta. Pior é quando não se tem acesso à rede.

Mas tudo tem solução. Existem vários softwares que permitem baixar os vídeos do YouTube para o computador.

Vou apresentar algumas soluções para o Linux, aproveitando para comemorar o 20º aniversário do Sistema Operacional do pinguim. Mostrando que Linux não é só coisa de geek ou de Linux freak, mas pode satisfazer perfeitamente as necessidades de usuários comuns.

Baixando e convertendo os vídeos com o DownloadHelper do Firefox

O meio mais fácil de baixar e converter vídeos é com o DownloadHelper, um add-on (complemento) do Firefox.

Para instalar o complemento, no menu do Firefox, vá em Ferramentas > Complementos.

Na caixa de pesquisa, digite “downloadhelper” e o complemento será apresentado nos resultados da busca. Basta clicar no botão Adicionar ao Firefox.

Agora é só reiniciar o browser.

Ao acessar um vídeo no YouTube, o ícone do DownloadHelper aparecerá ao lado da barra de endereços do browser, assim como na página web. Basta clicar no ícone para ter acesso às opções disponíveis, que incluem fazer o download e converter o vídeo. As opções são várias!

Ícones do DownloadHelper, add-on do Firefox que permite baixar e converter vídeos do YouTube.

Baixe vídeos do YouTube e converta para AVI (adaptado de Ubuntu Do It All)

Tutorial para o Ubuntu Linux, usando o terminal (shell) do sistema.

No terminal, digite o comando a seguir para instalar os pacotes necessários:

sudo apt-get install youtube-dl ffmpeg

Para baixar os vídeos:

youtube-dl -o example.flv “http://www.youtube.com/watch?v=cdaAWFoWr2c”

E para converter o vídeo:

ffmpeg -i example.flv example.avi

Obs. 1: substitua o endereço do vídeo pelo vídeo desejado, assim como o nome dos arquivos (mantenha apenas as extensões).

Obs. 2: o comando funciona para outros sites de vídeo, como DailyMotion, GoogleVideos, etc. Aliás, esse comando nem sempre funciona no YouTube.

Salvando as mensagens do Yahoo Mail no seu computador

O webmail do Yahoo ainda tem uma grande vantagem em relação aos concorrentes: espaço ilimitado para o armazenamento de mensagens. Coisa que o Gmail ainda não oferece.

Mas a vantagem pode se transformar numa dor de cabeça. Um dia desses fiquei pensando o que aconteceria se o Yahoo decidisse interromper seu serviço de e-mail — assim como ele fez com o Geocities. Um frio me percorreu a espinha quando me dei conta de que se assim fizesse o Yahoo, uma boa parte da minha história estaria perdida pra sempre! (que drama!)

A partir de então, comecei a pensar em alternativas para tentar assegurar a preservação da minha “memória”. Um sério problema do webmail do Yahoo é que sua versão standard não permite a importação das mensagens por um cliente de e-mail (como Outlook ou Thunderbird). O que fazer? Assinar a versão paga do mail do Yahoo — o Mail Plus? Esse seria o último recurso, se não fosse uma maneira de “contrabandear” essas mensagens do Yahoo pelo Gmail. A seguir, vou escrever um breve tutorial de como fazer isso.

Quer baixar seus e-mails do Yahoo num cliente de e-mail? Assine o Yahoo Mail Plus. Ou então, siga o tutorial.

1. O que você vai precisar:

. conta no Yahoo mail

. conta no Gmail

. cliente de e-mail (o exemplo neste tutorial utilizará o Thunderbird no Ubuntu)

2. Baixando as mensagens do Yahoo no Gmail

O Gmail oferece uma funcionalidade extremamente conveniente. Você pode baixar os e-mails de outra conta — inclusive do Yahoo — no e-mail do Google. Basta seguir os passos:

. No menu no canto superior direito do Gmail, escolha Settings, e na tela seguinte selecione Accounts and Import

. Clique no botão Import mail and contacts

. Informe seu login e senha no Yahoo Mail

. Marque os itens que você deseja importar da sua conta do Yahoo Mail: contatos (contacts), e-mails (que já estão na conta do Yahoo) e e-mails novos do Yahoo nos próximos 30 dias (a 3ª opção). A opção de adicionar um label às mensagens importadas é extremamente útil na hora de distinguir os emails do Yahoo e do Gmail, de modo que é altamente recomendado que você a deixe marcada.

Pronto! Basta clicar em Start Import e o Gmail começará o trabalho de importar as mensagens do Yahoo Mail. A importação é realizada aos poucos, em background (mesmo que você saia do Gmail). O processo pode demorar até 2 dias.

3. Baixando as mensagens do Gmail para o cliente de email

Agora que você já conseguiu baixar as mensagens do Yahoo no Gmail, vejamos como baixar as mensagens do Gmail para um cliente de e-mail, no nosso caso, o Mozilla Thunderbird.

. No Gmail, vá em Settings e depois escolha a opção Forwarding and POP/IMAP.

. Como estamos trabalhando com o Thunderbird, vamos usar o protocolo IMAP. Em IMAP Access, selecione Enable IMAP. Depois, clique em Save Changes.

. Ao iniciar o Thunderbird pela primeira vez, você entrará na tela para configuração da conta de e-mail. Caso não seja a primeira vez no Thunderbird, vá em File > New > Mail Account para abrir a tela acima. Nesta tela basta informar seu nome, login e senha do Gmail e clicar em Continue.

. Com o login que você informou no passo anterior, o Thunderbird será capaz de encontrar os servidores IMAP e SMTP do Gmail, fazendo toda a configuração automaticamente. Basta clicar em Create Account e pronto! Você já pode acessar o seu Gmail por meio do Thunderbird.

4. Salvando as mensagens num arquivo do HD local

Se conseguimos 1) baixar os e-mails do Yahoo no Gmail e 2) baixar os e-mails do Gmail no Thunderbird, isso significa que podemos acessar os e-mails do Yahoo no nosso próprio computador. Bom isso não? Agora vamos ver como essas mensagens podem ser arquivadas em disco, permitindo seu backup.

. Como o Thunderbird utiliza o IMAP, as alterações que você faz no cliente (como criar pastas, deletar mensagens, mover mensagens entre pastas, etc.) são automaticamente sincronizadas com o servidor do Gmail. Isso significa que se sua conta no Gmail já estiver atolada de coisas, você terá de apagar mensagens e perderá as informações.

Mas há um jeito de criar pastas locais (no HD do seu micro). Para isso, nas pastas que ficam à esquerda, clique com o botão direito em Local Folders e escolha a opção New Folder. Será aberta a caixa de diálogo acima, em que você deve informar um nome para a pasta (no caso, escolhi yahoo_backup). Para que a pasta seja local, certifique-se de que ter selecionado Local Folders na caixa de seleção inferior.

Você pode utilizar o mesmo processo para criar subpastas, mas clicando com o botão direito na pasta em que deseja criar a subpasta.

. Criadas as pastas e subpastas locais, basta selecionar as mensagens que você deseja copiar no painel do Thunderbird e arrastá-las para a subpasta desejada. Legal: agora temos uma cópia da mensagem do servidor no nosso HD!

. Agora, onde ficam armazenadas essas mensagens? No Thunderbird3 rodando no Ubuntu, essas pastas locais ficam armazenadas no diretório das configurações pessoais do usuário (mais precisamente, na pasta /home/usuário/.thunderbird/[algum código ininteligível]/Mail/Local Folders). Se houver subpastas, será adicionado um subdiretório, no qual serão criados dois arquivos por subpasta: um com o nome da subpasta (sem extensão, em que são armazenadas as mensagens) e outro com o nome da subpasta e a extensão msf (acredito que uma espécie de arquivo de índice). Pode parecer um pouco complicado, mas eu consegui transferir as mensagens do Thunderbird de um micro para o outro — os dois rodando Ubuntu, obviamente.

Finalizando

Ao fim desse breve tutorial espero ter apresentado uma solução possível para o problema de não ser possível baixar os e-mails do Yahoo Mail diretamente num cliente de e-mail — sem ter que migrar pro Mail Plus. Embora esse exemplo tenha sido específico, é possível variar e aplicar o mesmo raciocínio para outros serviços de e-mail (como o Hotmail) e mesmo outros clientes (o Gmail oferece instruções de como configurar). Espero que a dica tenha sido útil.

P.S.: ainda não consegui baixar todos os meus e-mails do Yahoo. Pra ver como tenho “memória”…

Ubuntu rodando sobre Windows 7 — viva o Wubi!

Nesses últimos dias de 2010 e começo de 2011, me deparei com uma pequena dor de cabeça: ganhei um notebook. Evidentemente, uma dor de cabeça que todo mundo  gostaria de ter. De todo modo, pra um usuário de Linux, o computador tinha um pequeno problema chamado Windows 7.

Bem, alguém poderia dizer, mas se esse é o problema, é só formatar o HD e mandar brasa: instalar o Ubuntu e ser feliz! Eu também pensei isso, mas confesso que fiquei com dó de formatar o disco com uma cópia original do Windows 7. Ainda mais sabendo que o sistema operacional faz parte (nada desprezível) do presente.

Pra dificultar minha situação, o CD de instalação do Windows não vem junto com o note. Provavelmente, uma política de “combate a pirataria” da Microsoft — e o consumidor que se vire! Outro obstáculo era o fato de que o HD já estava todo ocupado, com 4 partições primárias, inviabilizando a criação de novas partições.

O que eu fiz então?

O Wubi permite que o Ubuntu seja instalado dentro do Windows

Primeiro, eu redimensionei a partição em que o Win7 estava instalado: num HD de 320 GB, só a partição do SO ocupava uns 288 GB. No Gerenciador de Discos do próprio Windows 7, depois de desfragmentar o disco, consegui reduzir a partição pela metade. É bem verdade que 144 GB só pra uma partição de sistema continua sendo um desperdício, mas mesmo assim apenas o espaço liberado já foi mais do que o HD do meu notebook antigo (de 80 GB).

Minha primeira ideia foi de utilizar o espaço livre com as partições que costumo utilizar num sistema Linux: uma partição pro sistema operacional; uma partição swap; uma partição pro diretório home; e mais uma pra arquivos em geral. Porém, como o HD já tinha 4 partições primárias, não consegui criar de imediato nenhuma partição no espaço liberado. Acabei excluindo uma partição FAT de uns 120 MB (que eu não sei pra que servia, mas até agora parece não ter prejudicado o funcionamento do Win7).

Ubuntu instalado pelo Wubi pode ser desinstalado a partir do Windows

Entretanto, fiquei com receio de um conflito entre os sistemas, principalmente em relação ao boot (li um artigo dizendo que o Win7 reescrevia a MBR toda vez que iniciava, dificultando o dual boot no micro). Cheguei a pensar em desencanar do Linux e aderir ao “lado negro da força”. Mas a causa do software livre não poderia ser abandonada! 🙂

Acabei sendo salvo por uma invenção genial, que eu não conhecia, o Wubi: ele permite que o Linux seja “instalado como um programa” no ambiente Windows. Na verdade, é criado um arquivo dentro do Windows. E é nesse arquivo que ficará o sistema Linux (após selecionado no boot, esse arquivo será montado como o diretório raiz). Essa ferramenta vem incluída na imagem ISO do Ubuntu 10.10. É evidente que esse tipo de instalação apresenta algumas limitações: o desempenho é um pouco pior, além de inviabilizar algumas funcionalidades, como hibernação, por exemplo. Mas para os meus problemas, foi a solução ideal. Viva o Wubi!

Ubuntu 10.10 instalado a partir do Wubi

Pra quem tiver curiosidade e quiser experimentar o Wubi, vale a pena dar uma olhada nesse breve tutorial escrito por André Gondim.

P.S.: O leitor Wanderson me alertou que a partição FAT que eu excluí provavelmente continha arquivos de recuperação do Windows7. Portanto, pense bem antes de excluir qualquer partição.