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Lubuntu: fôlego novo para micros antigos

Um dia desses descobri o Lubuntu: uma versão light do Ubuntu, uma das principais distribuições GNU/Linux.

De fato, o Ubuntu se tornou quase um standard do Linux, devido à facilidade de instalar e manter o sistema, a um bom conjunto de programas e a um invejável suporte a hardware. Tudo muito automatizado e intuitivo, contrariando aquele estigma de que o Linux seria um sistema para os geeks. Usuários “normais” podiam usar o Ubuntu sem maiores problemas (disso eu tenho exemplos na minha família…).

O problema é que, com o passar do tempo e com a contínua obsolescência do hardware dos computadores, o Ubuntu foi se tornando pesado, demasiado pesado para micros mais antigos.

Eu já tinha pensado em aposentar um notebook Celeron M, com hoje míseros 512 MB de memória RAM. O pobre micro sofria pra rodar o Ubuntu 12.04. Era preciso escolher: ou navegar na internet (no Mozilla Firefox) ou escutar música (no Rhythmbox). Se fizesse as duas coisas ao mesmo tempo, podia esperar que logo o sistema começava a travar, com a luzinha do HD piscando direto com os acessos à memória virtual.

LXDE + Ubuntu = Lubuntu

LXDE + Ubuntu = Lubuntu

Mas com o Lubuntu, o “velhinho” ganhou fôlego novo. Instalei a versão 13.04 e hoje consigo não só navegar na internet — com várias abas abertas, blogando aqui no WordPress — e escutar música junto, como rodar a atualização de programas, o editor texto… tudo ao mesmo tempo! O sistema só dá umas travadinhas quando está desempacotando as atualizações — o que é perfeitamente aceitável.

Como o Lubuntu conseguiu esse “milagre”? A turma dessa distro parece ter sido inspirada pelo lema “small is beautiful”. O Lubuntu aposta num conceito minimalista, usando o gerenciador de janelas LXDE, bem mais simples que Gnome, KDE ou o Unity (dos últimos Ubuntus). Além disso, os programas padrão são bem mais leves também: ao invés do Firefox, o Chromium (uma versão aberta do Google Chrome); no lugar do Rhythmbox, o Audacious (com uma nostálgica interface tipo WinAmp); substituindo a suite LibreOffice, temos o Abiword (processador de texto) e o Gnumeric (planilhas). Talvez esses substitutos não tenham tantos recursos quanto os “titulares”, mas o bom desempenho num hardware modesto compensa a troca.

Gnome Mplayer na interface minimalista do Lubuntu

Gnome Mplayer na interface minimalista do Lubuntu

Fora isso, o Lubuntu tem seu lado Ubuntu também, no que diz respeito à facilidade de instalação e configuração. Depois de baixar a imagem no site oficial, é possível criar um disco de boot num pendrive, usando o UNetbootin. Com esse pendrive você pode usar o sistema sem instalá-lo (como um LiveCD), ou então fazer a instalação a partir dele. Chama a atenção o fato de que você pode autorizar o acesso a pacotes “proprietários” (que envolvem direitos de terceiros, como no caso da tecnologia do MP3 e outros drivers), que eles são baixados automaticamente logo na instalação. Essa era uma dor de cabeça pra mim quando instalava o Ubuntu: sempre precisava autorizar o acesso aos repositórios Multiverse e Medibuntu. Mais uma vez o Lubuntu me surpreendeu positivamente.

Por fim, só posso elogiar a iniciativa do pessoal do Lubuntu. Graças a ela proprietários de micros mais antigos podem dar um fôlego novo às suas máquinas, incapazes de rodar os SOs mais atuais (Windows 7, Windows 8 e mesmo o Ubuntu), sem ter que recorrer às “complicações” das distros Linux destinadas a um público mais geek (como Slackware e Debian). Valeu Lubuntu!

Várias tarefas simultâneas usando menos de 300 MB de RAM

Várias tarefas simultâneas usando menos de 300 MB de RAM

Baixando vídeos do YouTube para o PC no Linux

O YouTube é uma mão na roda. Facilitou a vida tanto de quem quer divulgar quanto de quem quer ter acesso a conteúdos em vídeo. Ainda mais quando o acesso à internet por banda larga torna-se cada vez mais popular.

Porém, nem tudo é perfeito. Pra quem ainda usa net discada — ou pra quem a banda larga é banda lerda — , assistir aos vídeos on demand é uma luta. Pior é quando não se tem acesso à rede.

Mas tudo tem solução. Existem vários softwares que permitem baixar os vídeos do YouTube para o computador.

Vou apresentar algumas soluções para o Linux, aproveitando para comemorar o 20º aniversário do Sistema Operacional do pinguim. Mostrando que Linux não é só coisa de geek ou de Linux freak, mas pode satisfazer perfeitamente as necessidades de usuários comuns.

Baixando e convertendo os vídeos com o DownloadHelper do Firefox

O meio mais fácil de baixar e converter vídeos é com o DownloadHelper, um add-on (complemento) do Firefox.

Para instalar o complemento, no menu do Firefox, vá em Ferramentas > Complementos.

Na caixa de pesquisa, digite “downloadhelper” e o complemento será apresentado nos resultados da busca. Basta clicar no botão Adicionar ao Firefox.

Agora é só reiniciar o browser.

Ao acessar um vídeo no YouTube, o ícone do DownloadHelper aparecerá ao lado da barra de endereços do browser, assim como na página web. Basta clicar no ícone para ter acesso às opções disponíveis, que incluem fazer o download e converter o vídeo. As opções são várias!

Ícones do DownloadHelper, add-on do Firefox que permite baixar e converter vídeos do YouTube.

Baixe vídeos do YouTube e converta para AVI (adaptado de Ubuntu Do It All)

Tutorial para o Ubuntu Linux, usando o terminal (shell) do sistema.

No terminal, digite o comando a seguir para instalar os pacotes necessários:

sudo apt-get install youtube-dl ffmpeg

Para baixar os vídeos:

youtube-dl -o example.flv “http://www.youtube.com/watch?v=cdaAWFoWr2c”

E para converter o vídeo:

ffmpeg -i example.flv example.avi

Obs. 1: substitua o endereço do vídeo pelo vídeo desejado, assim como o nome dos arquivos (mantenha apenas as extensões).

Obs. 2: o comando funciona para outros sites de vídeo, como DailyMotion, GoogleVideos, etc. Aliás, esse comando nem sempre funciona no YouTube.

Ubuntu rodando sobre Windows 7 — viva o Wubi!

Nesses últimos dias de 2010 e começo de 2011, me deparei com uma pequena dor de cabeça: ganhei um notebook. Evidentemente, uma dor de cabeça que todo mundo  gostaria de ter. De todo modo, pra um usuário de Linux, o computador tinha um pequeno problema chamado Windows 7.

Bem, alguém poderia dizer, mas se esse é o problema, é só formatar o HD e mandar brasa: instalar o Ubuntu e ser feliz! Eu também pensei isso, mas confesso que fiquei com dó de formatar o disco com uma cópia original do Windows 7. Ainda mais sabendo que o sistema operacional faz parte (nada desprezível) do presente.

Pra dificultar minha situação, o CD de instalação do Windows não vem junto com o note. Provavelmente, uma política de “combate a pirataria” da Microsoft — e o consumidor que se vire! Outro obstáculo era o fato de que o HD já estava todo ocupado, com 4 partições primárias, inviabilizando a criação de novas partições.

O que eu fiz então?

O Wubi permite que o Ubuntu seja instalado dentro do Windows

Primeiro, eu redimensionei a partição em que o Win7 estava instalado: num HD de 320 GB, só a partição do SO ocupava uns 288 GB. No Gerenciador de Discos do próprio Windows 7, depois de desfragmentar o disco, consegui reduzir a partição pela metade. É bem verdade que 144 GB só pra uma partição de sistema continua sendo um desperdício, mas mesmo assim apenas o espaço liberado já foi mais do que o HD do meu notebook antigo (de 80 GB).

Minha primeira ideia foi de utilizar o espaço livre com as partições que costumo utilizar num sistema Linux: uma partição pro sistema operacional; uma partição swap; uma partição pro diretório home; e mais uma pra arquivos em geral. Porém, como o HD já tinha 4 partições primárias, não consegui criar de imediato nenhuma partição no espaço liberado. Acabei excluindo uma partição FAT de uns 120 MB (que eu não sei pra que servia, mas até agora parece não ter prejudicado o funcionamento do Win7).

Ubuntu instalado pelo Wubi pode ser desinstalado a partir do Windows

Entretanto, fiquei com receio de um conflito entre os sistemas, principalmente em relação ao boot (li um artigo dizendo que o Win7 reescrevia a MBR toda vez que iniciava, dificultando o dual boot no micro). Cheguei a pensar em desencanar do Linux e aderir ao “lado negro da força”. Mas a causa do software livre não poderia ser abandonada! 🙂

Acabei sendo salvo por uma invenção genial, que eu não conhecia, o Wubi: ele permite que o Linux seja “instalado como um programa” no ambiente Windows. Na verdade, é criado um arquivo dentro do Windows. E é nesse arquivo que ficará o sistema Linux (após selecionado no boot, esse arquivo será montado como o diretório raiz). Essa ferramenta vem incluída na imagem ISO do Ubuntu 10.10. É evidente que esse tipo de instalação apresenta algumas limitações: o desempenho é um pouco pior, além de inviabilizar algumas funcionalidades, como hibernação, por exemplo. Mas para os meus problemas, foi a solução ideal. Viva o Wubi!

Ubuntu 10.10 instalado a partir do Wubi

Pra quem tiver curiosidade e quiser experimentar o Wubi, vale a pena dar uma olhada nesse breve tutorial escrito por André Gondim.

P.S.: O leitor Wanderson me alertou que a partição FAT que eu excluí provavelmente continha arquivos de recuperação do Windows7. Portanto, pense bem antes de excluir qualquer partição.

O Ubuntu 10.04 é 10!

Aproveitando os últimos momentos de férias (das aulas), tomei coragem e instalei a última versão do Ubuntu Linux no meu laptop. Digo que tomei coragem porque eu costumo seguir aquela máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”. E, de fato, eu andava satisfeito com o Ubuntu 7.10, já que não utilizo o notebook para tarefas muito pesadas, mais para escrever e acessar a internet. Por outro lado, tive algumas experiências traumáticas com atualizações, como quando fui fazer um upgrade do Ubuntu 8 para o 9 no meu desktop e o sistema novo não reconhecia uma tablet nem a pau — tive de voltar atrás naquela ocasião.

Contudo, como a versão 7.10 já está obsoleta, começou a ficar difícil achar pacotes para atualizar o sistema ou mesmo instalar um software que eu estivesse precisando. Além disso, ainda que eu estivesse satisfeito com o sistema, alguns itens do hardware não funcionavam 100% bem, como os alto-falantes, que continuavam a emitir som mesmo com o fone de ouvido plugado.

Diante desses probleminhas e tendo em conta a situação propícia para experiências com atualizações — já que não tenho nenhum trabalho para entregar na segunda — , resolvi tentar a instalação do Ubuntu 10.04. A instalação foi extremamente tranquila, é só colocar o CD na bandeja, resetar o computador e seguir as instruções. O Ubuntu está a cada versão se tornando mais amigável, que é de fato a proposta desta distribuição Linux. Pra quem já instalou e usou o Debian ou o Slackware, o Ubuntu nem parece Linux…

E, se a primeira impressão é a que fica, só tenho a dizer que o Ubuntu 10.04 é 10! Os meus problemas de hardware, pelo menos aparentemente, foram solucionados — o problema do alto-falante foi resolvido. Além disso, o sistema conserva as ferramentas que facilitam sua atualização, baseadas no mecanismo apt-get das distribuições derivadas do Debian. O que mais me chama a atenção nesse particular é que essa distro — não apenas nesta versão — fornece tanto ferramentas mais adaptadas ao usuário “leigo” ou mais acostumado com interfaces gráficas, quanto ferramentas para aqueles que preferem a linha de comando.

O conjunto de programas padrão é suficiente para o usuário comum. Alguns programas da minha particular preferência ficam de fora da instalação padrão, como o MPlayer (player de vídeo), GVim (editor de texto) e o XMMS (player de música). Quanto aos dois primeiros, é fácil resolver o problema mediante a instalação via apt-get; em relação ao último, a situação já é mais difícil uma vez que seu desenvolvimento foi “abandonado” e ele foi excluído do conjunto de pacotes — neste caso, o jeito é tentar se adequar ao RhythmBox, que não é de todo mal, mas eu preferia a interface mais simples do XMMS. Os codecs de áudio e vídeo comerciais ficam fora de distribuição oficial, mas é possível obtê-los nos repositórios do Medibuntu.

Na interface padrão do Ubuntu 10.04 predominam tons de preto e lilás

A interface padrão apresenta um tema mais sóbrio do que as versões anteriores, baseadas no laranja e em cores quentes. Na versão atual, predominam os tons de preto e lilás. Particularmente gostei da mudança no visual. Destaque para o terminal, que agora por padrão é translúcido e permite ver uma sombra da janela que fica por trás dele. Claro que ninguém está falando de um Mac OS X, mas para um sistema rodando num modesto Celeron M com 512 MB de RAM, a interface gráfica combina beleza com um bom desempenho.

Detalhe do fundo translúcido do terminal

Como disse anteriormente, minha impressão do Ubuntu 10.04 foi a melhor possível. A Microsoft que continue dando mancadas como foi o Windows Vista, para perder terreno para o pinguim. Tá certo que eles colocaram no mercado o Windows 7 numa tentativa de resposta a essa falha. Mas o fato a ser ressaltado é que um sistema operacional desenvolvido principalmente por meio dos esforços da comunidade do software livre mostra uma incrível capacidade de evoluir rapidamente, sem necessariamente exigir uma evolução correspondente em termos de hardware. Se você ainda torce o nariz para o Linux, vale a pena ao menos testar o Ubuntu 10.04 — lembrando que é possível rodá-lo a partir do CD sem ter que instalar no seu micro. Para baixar a imagem e queimar o CD, visite: http://www.ubuntu.com/desktop/get-ubuntu/download