Arquivo da tag: Humor

PM no campus da USP

O jeito Rodas de defender a universidade pública. Ou seria, defender a universidade do público?

Parada (ou seria Cruzada?) do Orgulho Hétero

Já que a Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou a criação do Dia do Orgulho Heterossexual, nada melhor do que fazer uma Parada, ou melhor, uma Cruzada para promover os “valores” e “bons costumes”.

Assim é São Paulo, caminhando a passos largos rumo à Idade Média!

É inacreditável!

Você acredita em duendes?

Suspeitei desde o princípio!

Como diria o Chapolim Colorado: “suspeitei desde o princípio!”

Ainda que este mês de janeiro tenha sido atipicamente mais chuvoso, não se pode dizer que isso tenha sido completamente inesperado, já que estamos sob influência do fenômeno El Niño (nada a ver com o gordinho). Ou seja, não dá pra ficar botando a culpa em São Pedro.

Além disso, qualquer chuvisco já é suficiente para encher o Tietê. Estranho, muito estranho.

Isso sem falar nos bairros da zona leste — Jardim Romano, Pantanal, entre outros — que estão alagados desde o fim do ano passado, mesmo quando a chuva dá uma trégua.

Ao que parece, há algo de muito podre no reino da Dinamarca… ou melhor, da Chuíça (uma terra que pensa que tem o PIB da China e o IDH da Suíça). Acho que de certo modo essas suspeitas se confirmam. Recomendo os artigos abaixo do Blog do Azenha (Viomundo):

Empreiteira tem incentivo para manter reservatórios cheios

Conceição Lemes: Tietê transborda por falta de limpeza da calha

Conceição Lemes: São Paulo privatizou controle das águas

Enquanto isso o governador pede pra população rezar… acho que em breve ele vai fazer uma PPP com a IURD (uma medida bem de acordo com a política de choque de gestão).

"Suspeitei desde o princípio!" - diria o Chapolim

Tudo culpa da “marvada”

Esses dias estava tão ocupado com as notícias da tragédia no Haiti, que não fiquei sabendo do célebre comentário da Lúcia Hippolito para a CBN. Como sempre, falando mal do governo; mas dessa vez, lúcida como nunca. Até parecia o discurso da Mariah Carey quando recebeu um prêmio no Palm Springs International Film Festival Awards.

A comentarista, porém, alegou uma gastroenterite (veja o comentário no blog do Azenha). Ahã. Vai ver foi aquela água que ela bebeu — e que passarinho não bebe.

Agora, compare o discurso da Mariah Carey com o comentário da Lúcia Hippolito. A única diferença é que a primeira esqueceu de falar mal do Lula.

O discurso da Mariah Carey

Agora, o comentário da Lúcia Hippolito

Roberto Carlos no Corinthians

Estava aqui assistindo o vídeo da chegada do Roberto Carlos, ontem, no Corinthians… se ele vai ser um bom reforço pra lateral esquerda, só o tempo dirá. Agora, o cara chegou mostrando outros talentos:

. Primeiro, eu pensei que ele estava se achando o “rei” Roberto Carlos. Chegou falando que são muitas emoções e coisa e tal… só faltou dar uma canja! “Quando eu estou aqui, vivendo esse momento lindo…”

. Depois, o cara mostrou que se for preciso é capaz de ele subir em algum palanque nas eleições deste ano: ficou rasgando seda com a torcida, com a diretoria e — o que é mais importante pra qualquer político — prometendo: que esse ano ele veio pra ganhar a Libertadores. Tomara que não seja só promessa de campanha… se for, ele vai ficar mal com a fiel, mas certamente vai cativar os anti-corintianos.

. E por fim, fez igual a político que muda de partido. O partido antigo, ah, é coisa do passado. Quando perguntado sobre seu passado no Palmeiras, Roberto Carlos usou desse expediente. Então tá!

Bom, ainda que eu fique com um pé atrás, vamos dar um voto de confiança pro cara. Que ele seja tão bom em campo como foi com as palavras. Com certeza, já vai ser melhor que os jogadores que o Corinthians tinha nessa posição. Agora, quanto à Libertadores, só resta torcer. Boa sorte Roberto Carlos!

Febeapá

Estava na biblioteca, numa luta com um livro do Anthony Giddens, lendo um parágrafo entre um bocejo e outro. Com a leitura prejudicada pelo sono, resolvi dar uma olhada na estante que estava logo atrás de mim. Um nome chamou minha atenção: Stanislaw Ponte Preta. Eu nunca me esqueço de um texto dele, da velha contrabandista, que li no primário. Era muito engraçado. Resolvi pegar o livro da estante. Chamava-se Febeapá 1 — Primeiro Festival de Besteira que Assola o País.

O livro foi escrito em 1966, bem entre o golpe militar (1964) e o AI-5 (1968). Desse modo, são frequentes as críticas aos militares. O livro se baseia nas “pérolas” dos políticos e homens públicos, coletadas entre os anos de 1965 e 1966. A julgar pelo que aconteceu no ano passado — como o caso da minissaia na Uniban; os panetones do Arruda; e a frase infeliz do Boris Casoy sobre os garis –, pode-se dizer que o Febeapá continua correndo solto!

Reproduzo abaixo alguns casos exemplares do Primeiro Festival. (Stanislaw Ponte Preta. Primeiro Festival de Besteira que Assola o País – Febeapá 1. São Paulo: Círculo do Livro)

Febeapá 1

Febeapá 1

Juiz elogiado:

“Abril, mês que marcava o primeiro aniversário da ‘redentora’, marcou também uma bruta espinafração do Juiz Whitaker da Cunha no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, que enviara seis ofícios do magistrado e, em todos os seis, chamava-o de ‘meretríssimo’. Na sua bronca o juiz dizia que ‘meritíssimo’ vem de mérito e ‘meretríssimo’ vem de uma coisa sem mérito nenhum.” (p. 12)

Matemática perniciosa:

“Em Fortaleza um colunista político, irritado com as bandalheiras dos vereadores em nome da liberdade, escreveu em sua coluna que metade da Câmara era composta de ladrões. No dia seguinte saiu fumacinha e fizeram ameaças ao colunista se ele não desmentisse. Ele, em vez de desmentir, ratificou e ninguém percebeu, pois deu uma segunda notícia, dizendo que havia uma metade na Câmara de Veradores que não era composta de ladrões.” (p. 13)

As pétreas narinas alencarianas foram poupadas (narinas alencarianas, essa foi boa, kkkk):

“Nas prefeituras municipais é que o Festival se espraiava com maior desembaraço: o Prefeito Tassara Moreira, de Friburgo (RJ), inaugurava um bordel na cidade ‘para incentivar o turismo’, enquanto o prefeito de Fortaleza, Murilo Borges, atendia ao apelo do Instituto Histórico cearense e suspendia a construção de um mictório público em frente à estátua de José de Alencar, na praça do mesmo nome. O instituto tinha classificado de ‘incontinência histórica’ a instalação de um sanitário ali, justamente quando se comemora o centenário de Iracema. Agora o mictório está sendo construído atrás da estátuta e o instituto agradeceu à prefeitura ressaltando que as ‘pétreas narinas alencarianas não serão mais molestadas’. Foi uma solução honrosa, sem dúvida, e agora, se alguém ficar aperreado, com se diz no Ceará, que vá atrás da estátua.” (p. 14-15)

É isso aí minha gente:

“O economista Glycon de Paiva pronunciava a seguinte frase, durante a possse do Sr. Harold Polland no Conselho Nacional de Economia: ‘O Brasil é um país com problemas urgentes, ingentes, mas sem gente’. Segundo tia Zulmira, ‘essa frase que parece inteligente é justamente de gente indigente metida a dirigente’.” (p. 19)

E a minissaia já causava polêmica, muito antes da Geisy Arruda:

“A minissaia era lançada no Rio e execrada em Belo Horizonte, onde o delegado de Costumes (inclusive costumes femininos) declarava aos jornais que prenderia o costureiro francês Pierre Cardin (bicharoca parisiense responsável pelo referido lançamento), caso aparecesse na capital mineira ‘para dar espetáculos obscenos, com seus vestidos decotados e saias curtas’. E acrescentava furioso: ‘A tradição moral e pudor dos mineiros será preservada para sempre’. Toda essa cocorocada iria influenciar um deputado estadual de lá — Lourival Pereira da Silva –, que fez um discurso na Câmara sobre o tema ‘Ninguém levantará a saia da Mulher Mineira’.” (p. 20)

Pois é. De lá pra cá o Brasil pode ter mudado em algumas coisas, mas o Febeapá continua o mesmo.