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Novos votos para o ano novo

E hoje começa 2013. Mais um ano ficou para trás e um novo ciclo se inicia. Novo? Foi isso o que eu disse? A julgar pelos votos, feitos naqueles momentos que antecedem a virada dos ponteiros do relógio para a meia noite do dia primeiro, tudo parece uma eterna repetição. As pessoas desejam umas às outras saúde, sucesso profissional, sorte no amor, dinheiro no bolso ou, simplesmente, felicidade.

Acho tudo isso muito salutar e cordial. É bom ver que, pelo menos no plano do discurso, as pessoas adotam uma postura de respeito e estima pelo próximo.

Nessa passagem de ano, porém, confesso que senti uma certa dificuldade em proferir essas palavras melífluas. Gostaria de dizê-las com maior naturalidade, mas acho que meu lado ranzinza, além de um certo ceticismo diante dessa boa vontade entre os homens, detiveram um pouco esses tradicionais votos por um segundo a mais na minha boca, fazendo com que eles saíssem com um tom meio mecânico, por força do hábito.

Mas agora que estou escrevendo, e de certa forma posso me explicar, gostaria de fazer votos que posso expressar com mais sinceridade.

Continuo desejando saúde a todo mundo. Mas que ela não seja uma preocupação meramente individual. A saúde é construção coletiva. Não apenas por conta da conduta responsável que temos que assumir para evitar a disseminação de doenças. A saúde é também um direito e, portanto, uma garantia que oferecemos socialmente uns aos outros. Então, que lutemos por esse direito de todos os cidadãos e cidadãs!

Quanto ao sucesso profissional, à sorte no amor, ao dinheiro no bolso, todos me parecem votos extremamente voltados para um aspecto da vida privada de cada um. E não apenas isso, mas um aspecto que, no mundo em que vivemos, na maioria dos casos, implica numa relação de mútua exclusão. Ou seja, o sucesso profissional de um, não raro, depende do fracasso de outros. O que para um pode ser sorte no amor, para outro pode ser um tremendo azar. E, quanto ao dinheiro no bolso, dependendo da fonte dele, sinceramente, é melhor que ele desapareça.

Por fim, aquele voto que parece sintetizar tudo, o voto de felicidade. Pois deixo esse voto de lado neste 2013. “Mas que sujeito mal-amado, desgostoso da vida, amargurado para não desejar felicidade aos outros!”, devem estar bradando indignados os leitores mais sensíveis. Tentarei me explicar. Não sei se serei convincente.

Primeiramente, penso que, por mais tradicional que seja desejar felicidade aos outros, devemos pensar no que é a tal felicidade. A constatação mais paradoxal é que quase todas as pessoas querem ser felizes, embora essas pessoas não consigam oferecer uma mesma definição de felicidade. Apesar do caráter subjetivo, porém, o que se pode notar é que a felicidade, hoje em dia, converge para uma espécie de mescla entre hedonismo e consumismo. A felicidade tem a ver com a satisfação pessoal, isto é, com o aumento do prazer e a diminuição do desprazer. E isso, por sua vez, nos leva ao consumo, atividade tornada quase como a busca da salvação pelos magos da publicidade.

Diante dessa constatação, sou levado a pensar que a felicidade, na nossa sociedade consumista, tem o condão de criar cada vez mais indivíduos egoístas e, ao mesmo tempo, espaçosos. O céu é o limite para os delírios de consumo. E não só isso. A fruição não respeita os limites do outro, e quem dirá os da natureza. Os carros inundam as vias já saturadas de veículos. As músicas invadem o espaço alheio por meio das ondas sonoras amplificadas pela potência dos aparelhos de som, ligados no último volume. O lixo de toda essa fruição entulha as ruas. Como diz Ben Folds na canção All U Can Eat: “they give no fuck, they buy as much as they want / they give no fuck, just as long as there´s enough for then” (“eles não dão a mínima, eles compram o tanto quanto querem / eles não dão a mínima, desde que haja suficiente para eles” – numa tradução livre).

Ben Folds – All U Can Eat (ao vivo)

Os indivíduos “felizes”, tomados por uma satisfação instantânea no momento da compra, tentam afastar com esse comportamento expansivo, durante a fruição das suas santas mercadorias, o gosto amargo da frustração, o vazio que vem em seguida. A felicidade, em sua versão capitalista, é um sempre querer mais. Ou seja, é preciso sempre mais um pouco para estar na “zona de conforto”, na qual é possível deixar os problemas do mundo “do lado de fora”. No fim das contas, é, portanto, um sentimento de perpétua insatisfação – porque o que se tem nunca é suficiente para sentir-se pleno.

A felicidade, assim, parece ser uma grande armadilha. E por isso é que eu abro mão de desejar felicidade a quem quer que seja no ano novo. O que não quer dizer que desejo infelicidade aos outros. Pelo contrário. O que eu desejo é que, antes de buscarmos a tal felicidade, tenhamos consciência. Isto é, que nos preocupemos com aquilo que sentimos, mas também com o que pensamos. Que procuremos entender o que é e o que pode ser a felicidade.

Um exercício da consciência parece me indicar que a felicidade é algo que podemos apreciar em certos momentos da vida, quando estamos serenos para experimentar esse estado de especial alegria e singular harmonia. Algo que não depende necessariamente do que compramos ou exclusivamente do prazer que sentimos. A felicidade parece estar além de tudo isso. Contudo, ela é momentânea e não permanente.

Essa não é uma resposta definitiva, mas um esboço daquilo que eu entendo por felicidade. Somente por meio desse esforço consciente é que eu posso ter meus olhos abertos na busca dessa meta, que não é a única da minha vida – embora importante. Graças à consciência é que posso não ser um mero títere da lógica consumista, que sempre evoca novos prazeres e recompensas sentimentais que suas mercadorias podem trazer. De fato, a indústria capitalista não se preocupa com o que nós pensamos, mas com o que sentimos, e volta todo o seu arsenal de produção de realidades para os nossos sentimentos. A indústria capitalista se preocupa que ousemos pensar.

Por tudo isso, peço perdão aos que se aborrecem com a falta do meu voto de felicidade nesse ano que se inicia. Mas, para diminuir essa sensação de frustração, proponho uma troca: troco meu voto de felicidade por um voto de consciência. Que 2013 seja um ano em que a consciência das pessoas se expanda, permitindo-lhes compreender melhor o mundo em que vivem e o lugar que elas ocupam nesse mundo! E, como sempre, saúde como direito de tod@s! Esses são meus novos votos para o ano novo.

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A idade da desilusão

Um dia desses completei trinta anos. Aí me perguntaram: “como você se sente?” Sinceramente, fiquei sem saber o que dizer. Não me sentia melhor nem pior pela idade. Embora tenha ficado sem palavras, fiquei com a pergunta na cabeça, ruminando um monte de pensamentos.

E pensar que já tenho três décadas nas costas é, por um lado, um pouco assustador. Ainda mais quando, seguindo a opinião comum, sou levado a pensar que fiz pouco ou nada de relevante nessa vida. Não me casei, nem tive filhos. Não consegui seguir uma carreira profissional que fosse. Fiquei à deriva, nesse oceano caótico que é o nosso tempo.

Por outro lado, sinto que os anos me tornaram mais tolerante com as frustrações. De fato, acho que a minha primeira grande decepção, se assim podemos dizer, foi quando fiz 18 anos. Sim, pois embora eu pudesse, a partir de então, tirar minha carteira de motorista, sabia que tendo essa idade muito dificilmente poderia ser jogador de futebol — eu já estava muito velho pra isso. Dessa idade em diante, a cada ano, ia sentindo que o leque de opções sobre o meu futuro ia progressivamente diminuindo. Não ia mais ser músico, atleta, um gênio da informática, celebridade, ou sabe-se lá mais o que. Mas assim, da mesma forma que se reduziam as possibilidades, reduzia-se também aquele sentimento de frustração. Por exclusão, o meu destino ia sendo traçado.

Chegando na casa dos trinta, penso que meu grande feito foi ter deixado de lado todas essas esperanças desnecessárias, todas essas expectativas que nos fazem adotar um comportamento adequado ao funcionamento dessa grande máquina do capital. Não acredito em sucesso individual, ainda mais quando este se dá às custas do fracasso alheio. Não me interessa ser alguém nesta terra de ninguém. Tampouco me entregar a uma busca interminável pela felicidade. Antes, quero ter a serenidade necessária para saber desfrutar dos momentos de contentamento, quando eles existirem. Pois, se a experiência serve de alguma coisa, ela me diz que esses momentos, longe de ser regra, são antes uma exceção. De modo que é importante estar com o coração sereno para gozá-los.

Em suma, de bom grado, troquei a busca da felicidade pela busca da lucidez, assim como a euforia pela serenidade. O que me importa agora é pisar esse chão com meus próprios pés e, dissipada a espessa névoa de ilusões, caminhar em frente. Caminhar tendo no horizonte uma utopia, um outro projeto de mundo, o qual, entretanto, só poderá ser atingido passando por cima da ordem atual das coisas. Não me iludo com a perspectiva de que tal caminho será necessariamente percorrido — necessário é tentar percorrê-lo.

Acho que é assim que me sinto com trinta anos: com menos sonhos, menos expectativas, menos ilusões, mas com os dois pés no chão. Estou na idade da desilusão.

Todos juntos numa só solidão

Véspera de Natal. Nesta noite, tudo está em seu lugar: os presentes debaixo da árvore de Natal, os pratos da ceia sobre a mesa, os enfeites adornam cada canto da casa. As pessoas ostentam sorrisos em seus rostos. Parecem conversar sobre qualquer coisa engraçada, a julgar pelos risos. Enquanto isso, as crianças correm pela casa, fazendo aquela algazarra.

As pessoas se sentam à mesa. Está na hora de saborear as iguarias do Natal: peru, pernil, lombo, farofa, saladas e tudo que não pode faltar num banquete natalino. Jantar, diga-se de passagem, regado a muito vinho e cerveja para os adultos, e refrigerante para as crianças. Temos diante de nós o retrato de uma noite feliz.

As crianças logo deixam de lado seus pratos. Os pais ainda tentam fazer seus filhos terminarem de comer as sobras de comida. Em vão, pois as crianças, com sua disposição de pilha alcalina não conseguem ficar sentadas: precisam gastar suas energias, quem sabe para conter a ansiedade de abrir os pacotes com os presentes.

Enquanto isso, de volta à mesa, lá estão os adultos, entre uma garfada e outra, conversando animadamente. Falam sobre suas últimas aquisições: sua última casa na praia, sua última chácara, seu último carro, seu último gadget, de última geração. Quando não é esse o assunto em pauta, pode estar certo de que estão tratando das últimas estripulias da vida alheia: quem se casou, quem descasou, quem traiu, quem foi traído, quem foi promovido, quem foi demitido, quem se mudou…

E quando as novidades sobre coisas e pessoas deixam de ser novidades, há ainda o passado: lembranças de passeios, viagens, traquinagens, antigos amores… A essa altura, já sob efeito do álcool, a evocação de certas memórias traz consigo uma carga de emoções que estavam esquecidas num canto qualquer dos corações, encobertas por uma camada de poeira, negligenciadas pelo imperativo de viver o dia-a-dia.

Desacostumadas a aparições públicas, essas emoções, desajeitadas ao convívio social como um bicho do mato, acabam não raro provocando reações violentas em seus donos. Acessos de choro, acessos de raiva. Os que ainda estão sóbrios olham com uma expressão de espanto. Mas eles mesmos sentem que algo parece querer escapar do controle. Se o protocolo permitisse, também diriam poucas e boas.

E então, à medida que o efeito do álcool vai passando, e em nome da civilidade, do bom exemplo que deve ser dado às crianças, os ânimos vão se acalmando. Logo estão às boas, assim que acham um assunto que os subtraia do domínio das emoções: como o pernil estava bem temperado; como o pudim, mais uma vez, estava exageradamente doce; como a farofa estava molhada demais; e assim por diante.

Fico olhando tudo isso, um pouco enternecido, mas também um pouco chateado.

Fico enternecido com a maneira pela qual as pessoas sempre acham um jeito de evitar que as emoções, que vivem nos porões de seus corações, possam ameaçar as relações que as unem. Uma demonstração de civilidade, mas também do apreço que têm por esses laços familiares. Por mais que esses laços, às vezes, exijam que se utilize as cordas do autocontrole.

Por outro lado, fico chateado ao ver as pessoas, mais uma vez, varrendo a poeira para baixo do tapete. Mais um ano que passa. Mais um ano e as velhas emoções são recolhidas aos porões inacessíveis do coração de cada um. Mais uma vez se perde a oportunidade de passar a limpo as mágoas, as rusgas, as frustrações que os afligem. Mas fazer o que? É noite de Natal. A noite deve ser feliz.

Fico pensando até que ponto vale a pena esse tipo de felicidade. Fico pensando até que ponto vale a pena esse tipo de civilidade. Fico pensando qual o sentido de as pessoas se reunirem quando elas não compartilham um projeto comum, já que nos outros dias cada um está empenhado em alcançar, individualmente, seu próprio sucesso. Fico pensando qual o sentido dessa reunião se o que nela se apresenta é tão somente uma representação do que são essas pessoas — ou seja, um verdadeiro baile de máscaras. Em suma, fico pensando de que vale estarem todos juntos na noite de Natal, se estão todos juntos numa só solidão — a solidão de ter de guardar só para si os próprios sentimentos.

P.S.: a crônica acima é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. (Ou não?)

P.P.S.: tem certeza de que me conhece?

A felicidade conjugal – Leon Tolstói

Hoje terminei de ler a novela “A felicidade conjugal”, de Leon Tolstói. Publicada em 1859, numa fase mais inicial da carreira do
escritor, exalta a simplicidade da vida no campo. Apesar desse caráter bucólico, a novela provoca uma interessante reflexão.

O enredo, de maneira resumida, trata da história de Mária Aleksándrovna, uma jovem de 17 anos, que acaba se apaixonando por seu
tutor, Sierguiéi Mikháilitch, um homem de uns 37 anos, que fora amigo do falecido pai da jovem. O temperamento da jovem, filha
da aristocracia russa, era calmo e humilde. O tutor, por sua vez, também era um homem pacato. Desse relacionamento surge um
amor recíproco, selado por um casamento.

Os primeiros meses após o casamento foram de grande felicidade, numa vida regida pelas tradições e pela rotina monótona
do campo. Com o passar do tempo, entretanto, Mária começa a se inquietar com a monotonia da vida campestre e acaba convencendo
o marido a providenciar a mudança do casal para a cidade.

A vida na cidade mudou completamente a vida do casal. A jovem esposa estava cada vez mais deslumbrada com a vida em sociedade,
os bailes, a atenção que lhe devotavam; ao passo que o marido se mostrava cada vez mais insatisfeito com esse estado de coisas,
ainda que se resignasse diante desse distanciamento daquela felicidade inicial, oriunda da vida simples do campo. Essa mudança
marca também um distanciamento do casal, progressivamente incapaz de experimentar o amor e a confiança que depositavam um no
outro logo no início do casamento.

O ponto máximo desse distanciamento é quando a jovem é beijada — no rosto — por um outro homem e subitamente é tomada
por um sentimento de arrependimento e culpa. O casal continua distante até que por contingências do destino vão morar por um
tempo na casa de Mária, onde tudo começou. O lugar, além de evocar lembranças de um tempo bom, permite uma reaproximação do casal.
Mária confessa o desejo de deixar a vida na cidade para trás, e voltar a levar a vida de antes. O marido, homem sábio e maduro,
pondera que não será possível ser como antes, porém é possível começar uma nova vida, voltada para a criação dos filhos. E assim
termina a novela: com Maria reconhecendo o surgimento de um novo tipo de amor, muito mais um companheirismo do que romance, visando
à manutenção da família, tirando dessa vida simples um novo tipo de felicidade.

Parece uma história tola, mas vale a pena refletir: por que, mesmo sabendo que a felicidade está nas coisas simples, nos entregamos
a ambições desmedidas? Talvez seja porque tenhamos de experimentar esse fato por nós mesmos, como diz essa bela passagem da novela:

“[Mária]: […] — Por que me permitiste viver no mundo, se ele te parecia tão pernicioso que deixaste de me amar por
causa dele?
[…]
[Sierguiéi]: […] — Todos nós, e particularmente vós outras, mulheres, devemos viver sozinhos todo o absurdo da existência,
a fim de voltar à própria vida; e não se pode crer em outra coisa. Ainda estavas longe de ter vivido então todo o absurdo
simpático e encantador com que eu me extasiava em ti; e eu te deixei acabar de vivê-lo e senti não ter o direito de te
constranger, embora para mim o tempo já tivesse passado havia muito.”

Diante dessas palavras, parece que às vezes temos de colocar a perder o que temos para que possamos lhe dar o devido valor.
É duro, mas nesse caso a ficção é a própria realidade. Por isso mesmo, não deixe de ler essa novela de Tolstói você mesmo.

Felicidade não tem fim, tristeza sim

Tristeza não tem fim; felicidade sim?

Ultimamente, tenho refletido muito sobre essa questão — a qual em sua origem, na letra da canção, era uma afirmação. Mas questiono alguns pontos:

I. Se tristeza não tem fim, ao menos deve ter um começo: numa concepção pessimista, posso assumir que a tristeza tem sua gênese no
mesmo momento de nossa gênese — algo intrínseco à condição humana. Ou então, deve-se assumir que a tristeza sempre existiu, desde
o início dos tempos, seja lá quando foi isso…

II. Se felicidade tem fim, tem que ter algum começo: e qual seria, precisamente, o momento da gênese da felicidade? Um momento de
êxtase, de prazer, de realização, etc? Há também a possibilidade de que ela tenha existido desde sempre.

Dessas duas proposições, penso que algo fundamental deve ser esclarecido: tristeza e felicidade são mutuamente excludentes?
Isto é, onde houver uma a outra não poderá existir?

Se assumirmos que sim, são mutuamente excludentes, então temos uma contradição: se a tristeza não tem fim, não será possível que a
felicidade tenha um começo; e se esta última não tem um começo, consequentemente nem poderá ter fim. Neste caso, poderíamos dizer
que tristeza não tem fim; felicidade nem começo tem.

Por outro lado, se entendermos que em certos momentos felicidade e tristeza podem coexistir, então temos uma situação incômoda: se tristeza não tem fim, a felicidade pode coexistir com a primeira, sendo que esta última tem fim, então, a felicidade não é mais que
ilusão. É-se feliz num substrato de tristeza, ao qual cedo ou tarde se retornará.

Portanto, violando a licença poética e usando minha “licença sofística”, digo: “Felicidade não existe; por isso não tem fim”; ou,
até mesmo: “Felicidade não tem fim; tristeza sim”. Isso mesmo. Explico essa última parte: a tristeza pode ser infinita num ponto
de vista transcendental, mas no dia em que o sujeito da tristeza não mais existir — e representá-la, senti-la — fará sentido falar
de sua existência? Então, tomo a liberdade — mais uma vez a licença sofística — de confundir o fim do sujeito da tristeza — sua
morte — com o próprio fim da tristeza.

P.S.: Perdoem-me eventuais leitores por essa vã discussão, mas, de vez em quando, sou acometido por um pessimismo meio agudo.
Espero que não se zanguem com esse sofisma. Não deem ouvidos a ele. Acho que foi apenas um desabafo travestido de falsa
filosofia. Por isso, não percam tempo! E viva a poesia! Pois só ela é capaz de dar um sentido a este mundo.