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Mano Brown, Cláudio Lembo e a violência hoje

No segundo dia da Virada Cultural deste ano, marcada por inúmeros episódios de violência – aspecto que, aliás, foi exacerbado pela grande mídia – , Mano Brown, líder dos Racionais MCs, fez um discurso na apresentação da banda. O rapper, com a autoridade de quem representa a voz da periferia por meio das músicas dos Racionais, dirigiu-se à multidão condenando o que ele considerou como atos de “covardia” na noite anterior. Referiu-se a um caso em que dez manos cercaram um moleque para roubar um tênis de R$ 900. Essa violência, longe de representar uma revolta contra o “sistema” seria uma mera demonstração de falta de caráter.

 

Alguns dias depois, em entrevista a Bob Fernandes, um controverso personagem, oriundo do outro lado do espectro político deu declarações de teor aproximado em relação à violência. Cláudio Lembo, ex-governador de São Paulo, cuja vida política esteve sempre ligada a partidos conservadores (Arena, PFL, DEM), expôs sua visão acerca da violência nos dias atuais. Segundo o ex-governador, a sociedade estaria dominada pelo imperativo consumista, desprovida de ideologias. Como nem todos têm condições de consumir segundo os padrões ditados pelo mercado, a delinquência seria a válvula de escape para aqueles que ficaram à margem da sociedade de consumo, já que não existem ideologias capazes de polarizar as tensões sociais para o plano do debate de ideias.

 

É interessante notar a convergência no diagnóstico sobre a violência, partindo de personalidades tão diferentes. Mas, de fato, a despolitização da sociedade, a exacerbação do individualismo e a incessante criação de desejos pela indústria da publicidade compõem um quadro em que a violência aparece como a expressão privilegiada de uma sociedade cindida.

Já que todos são consumidores – e, além disso, consumistas –, consumir deixa de ser uma opção mas torna-se um imperativo. Diante da desigualdade de renda, da precarização do trabalho, etc., muitos veem o seu acesso ao consumo obstruído. Como cumprir a “obrigação” do consumo, então? É nesse momento que a violência, a subtração à força da riqueza alheia, se apresenta como uma opção “legítima” no contexto de uma sociedade regida pela “ética do consumo”.

Ademais, a sociedade consumista, regida pelo ideal da satisfação individual dos desejos de consumo, mostra-se como um lugar hostil às tentativas de ação coletiva, que visem ao bem comum, dotadas de um espírito republicano. A cisão da sociedade em classes, ao invés de se expressar num confronto político-ideológico entre partidários de posições antagônicas, acaba assumindo a forma de uma criminalidade onipresente, de indivíduos contra indivíduos. Uma violência que não ameaça o status quo pois atenta contra a propriedade privada não para destruí-la, mas para transferí-la da mão de um proprietário a outro. Tampouco trata-se de uma violência que pode ser debelada pela ação policial, uma vez que sua causa é a própria estrutura da sociedade de consumo.

Dessa maneira, enquanto a política for tratada com desprezo pela maior parte da sociedade e com oportunismo por boa parcela dos partidos, poucas são as perspectivas de se superar a patologia social da violência. Que o digam Mano Brown e Cláudio Lembo.

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Novos votos para o ano novo

E hoje começa 2013. Mais um ano ficou para trás e um novo ciclo se inicia. Novo? Foi isso o que eu disse? A julgar pelos votos, feitos naqueles momentos que antecedem a virada dos ponteiros do relógio para a meia noite do dia primeiro, tudo parece uma eterna repetição. As pessoas desejam umas às outras saúde, sucesso profissional, sorte no amor, dinheiro no bolso ou, simplesmente, felicidade.

Acho tudo isso muito salutar e cordial. É bom ver que, pelo menos no plano do discurso, as pessoas adotam uma postura de respeito e estima pelo próximo.

Nessa passagem de ano, porém, confesso que senti uma certa dificuldade em proferir essas palavras melífluas. Gostaria de dizê-las com maior naturalidade, mas acho que meu lado ranzinza, além de um certo ceticismo diante dessa boa vontade entre os homens, detiveram um pouco esses tradicionais votos por um segundo a mais na minha boca, fazendo com que eles saíssem com um tom meio mecânico, por força do hábito.

Mas agora que estou escrevendo, e de certa forma posso me explicar, gostaria de fazer votos que posso expressar com mais sinceridade.

Continuo desejando saúde a todo mundo. Mas que ela não seja uma preocupação meramente individual. A saúde é construção coletiva. Não apenas por conta da conduta responsável que temos que assumir para evitar a disseminação de doenças. A saúde é também um direito e, portanto, uma garantia que oferecemos socialmente uns aos outros. Então, que lutemos por esse direito de todos os cidadãos e cidadãs!

Quanto ao sucesso profissional, à sorte no amor, ao dinheiro no bolso, todos me parecem votos extremamente voltados para um aspecto da vida privada de cada um. E não apenas isso, mas um aspecto que, no mundo em que vivemos, na maioria dos casos, implica numa relação de mútua exclusão. Ou seja, o sucesso profissional de um, não raro, depende do fracasso de outros. O que para um pode ser sorte no amor, para outro pode ser um tremendo azar. E, quanto ao dinheiro no bolso, dependendo da fonte dele, sinceramente, é melhor que ele desapareça.

Por fim, aquele voto que parece sintetizar tudo, o voto de felicidade. Pois deixo esse voto de lado neste 2013. “Mas que sujeito mal-amado, desgostoso da vida, amargurado para não desejar felicidade aos outros!”, devem estar bradando indignados os leitores mais sensíveis. Tentarei me explicar. Não sei se serei convincente.

Primeiramente, penso que, por mais tradicional que seja desejar felicidade aos outros, devemos pensar no que é a tal felicidade. A constatação mais paradoxal é que quase todas as pessoas querem ser felizes, embora essas pessoas não consigam oferecer uma mesma definição de felicidade. Apesar do caráter subjetivo, porém, o que se pode notar é que a felicidade, hoje em dia, converge para uma espécie de mescla entre hedonismo e consumismo. A felicidade tem a ver com a satisfação pessoal, isto é, com o aumento do prazer e a diminuição do desprazer. E isso, por sua vez, nos leva ao consumo, atividade tornada quase como a busca da salvação pelos magos da publicidade.

Diante dessa constatação, sou levado a pensar que a felicidade, na nossa sociedade consumista, tem o condão de criar cada vez mais indivíduos egoístas e, ao mesmo tempo, espaçosos. O céu é o limite para os delírios de consumo. E não só isso. A fruição não respeita os limites do outro, e quem dirá os da natureza. Os carros inundam as vias já saturadas de veículos. As músicas invadem o espaço alheio por meio das ondas sonoras amplificadas pela potência dos aparelhos de som, ligados no último volume. O lixo de toda essa fruição entulha as ruas. Como diz Ben Folds na canção All U Can Eat: “they give no fuck, they buy as much as they want / they give no fuck, just as long as there´s enough for then” (“eles não dão a mínima, eles compram o tanto quanto querem / eles não dão a mínima, desde que haja suficiente para eles” – numa tradução livre).

Ben Folds – All U Can Eat (ao vivo)

Os indivíduos “felizes”, tomados por uma satisfação instantânea no momento da compra, tentam afastar com esse comportamento expansivo, durante a fruição das suas santas mercadorias, o gosto amargo da frustração, o vazio que vem em seguida. A felicidade, em sua versão capitalista, é um sempre querer mais. Ou seja, é preciso sempre mais um pouco para estar na “zona de conforto”, na qual é possível deixar os problemas do mundo “do lado de fora”. No fim das contas, é, portanto, um sentimento de perpétua insatisfação – porque o que se tem nunca é suficiente para sentir-se pleno.

A felicidade, assim, parece ser uma grande armadilha. E por isso é que eu abro mão de desejar felicidade a quem quer que seja no ano novo. O que não quer dizer que desejo infelicidade aos outros. Pelo contrário. O que eu desejo é que, antes de buscarmos a tal felicidade, tenhamos consciência. Isto é, que nos preocupemos com aquilo que sentimos, mas também com o que pensamos. Que procuremos entender o que é e o que pode ser a felicidade.

Um exercício da consciência parece me indicar que a felicidade é algo que podemos apreciar em certos momentos da vida, quando estamos serenos para experimentar esse estado de especial alegria e singular harmonia. Algo que não depende necessariamente do que compramos ou exclusivamente do prazer que sentimos. A felicidade parece estar além de tudo isso. Contudo, ela é momentânea e não permanente.

Essa não é uma resposta definitiva, mas um esboço daquilo que eu entendo por felicidade. Somente por meio desse esforço consciente é que eu posso ter meus olhos abertos na busca dessa meta, que não é a única da minha vida – embora importante. Graças à consciência é que posso não ser um mero títere da lógica consumista, que sempre evoca novos prazeres e recompensas sentimentais que suas mercadorias podem trazer. De fato, a indústria capitalista não se preocupa com o que nós pensamos, mas com o que sentimos, e volta todo o seu arsenal de produção de realidades para os nossos sentimentos. A indústria capitalista se preocupa que ousemos pensar.

Por tudo isso, peço perdão aos que se aborrecem com a falta do meu voto de felicidade nesse ano que se inicia. Mas, para diminuir essa sensação de frustração, proponho uma troca: troco meu voto de felicidade por um voto de consciência. Que 2013 seja um ano em que a consciência das pessoas se expanda, permitindo-lhes compreender melhor o mundo em que vivem e o lugar que elas ocupam nesse mundo! E, como sempre, saúde como direito de tod@s! Esses são meus novos votos para o ano novo.

Generosidade e perversidade

Estamos à véspera de mais um Natal.

E lá vão as pessoas atrás dos presentes, dos pinheirinhos, dos Papais Noéis e congêneres, das guirlandas e outros ornamentos, dos comes e bebes… e toda essa correria ao ritmo de jingle bells e outras canções tão comuns nessa época (felizmente aquele CD da Simone com músicas de Natal parece ter sido esquecido).

E entre a orgia consumista e a histeria coletiva com os compromissos de fim de ano, parece surgir um sentimento de compaixão no coração dos homens e mulheres de boa vontade. Todo ano tem uma campanha de arrecadação de brinquedos usados, de doação de alimentos, de venda de cartões de Natal para entidades assistenciais e por aí vai. Como as pessoas ficam boazinhas no Natal! Seria o espírito natalino?

Quando eu era um sujeito otimista, — e isso não faz muito tempo — , eu era capaz de acreditar que a bondade no coração das pessoas um dia poderia melhorar o mundo. Mas, como eu disse, todo ano eu vejo se repetirem essas campanhas assistenciais para que os necessitados tenham um Natal mais feliz — ou, pelo menos, menos miserável. Pelo visto, a generosidade natalina não é suficiente para solucionar os males sociais, já que sempre há um número considerável de necessitados dependendo da compaixão alheia.

Estou com isso querendo dizer que todas essas campanhas são um lixo? Não, pois não sou um adepto do quanto pior melhor. Tenho consciência de que para algumas pessoas essa ajuda, recebida dessas almas benevolentes, pode ser o único motivo de alegria em meio a tantas dificuldades.

Agora, não posso ignorar uma certa perversidade em toda essa generosidade — além da já mencionada ineficácia na transformação do quadro social. Mas como algo feito com boa intenção pode assumir um caráter perverso? Como já dizia aquele ditado: de boas intenções o inferno está cheio.

Quando o presente de Natal é um presente de grego

Em primeiro lugar, há que se pensar qual o lugar desse “espírito de solidariedade” em meio a uma sociedade marcada pelo individualismo e pela competição. Seria essa mudança um milagre de Natal?

Não sou tão otimista para acreditar nisso. Antes, me parece que se trata de um protocolo, de uma demonstração de respeito a uma tradição (a esse respeito, o Vinícius escreveu um post muito interessante). E, talvez, mais que isso. Slavoj Zizek demonstrou como as corporações têm lucros por se associar com causas de caridade. Num capitalismo em que a imagem — num sentido amplo — é tão fundamental para o processo de valorização, nada melhor do que uma empresa ter uma imagem de socialmente responsável — não importa que nas suas práticas cotidianas ela não seja assim tão boazinha. E uma boa oportunidade para mostrar essa face benevolente certamente é o Natal.

A outra coisa que tem de ficar clara é que, como já havia apontado Marcel Mauss no seu Ensaio sobre a Dádiva, toda dádiva recebida causa uma obrigação implícita de retribui-la. De modo que só pode haver uma relação simétrica entre doador e donatário se eles conseguem, ao longo do tempo, se estabelecer como parceiros de troca. Ou seja, só quando aquele que recebeu o presente puder, num momento seguinte, retribui-lo e de devedor passar a credor do obséquio.

De modo que, por meio dessa generosidade natalina, os necessitados se inserem numa relação assimétrica com seus doadores. Os necessitados se veem como eternos devedores, já que não encontram condições de retribuir o dom recebido — salvo raras exceções. E assim, aquele que recebeu o presente se coloca num patamar inferior em relação ao doador. Há algo de humilhante nessa benevolência.

Perdoem-me se eu tiver estragado a festa de alguém. Não foi essa a minha intenção. Minha intenção foi apenas de mostrar que enquanto vivermos segundo a lógica da desigualdade, a generosidade andará de mãos dadas com a perversidade.

Black Friday, Cyber Monday e a religião do consumo

Estou surpreso com a adoção do calendário consumista norte-americano pelas lojas virtuais brasileiras neste ano. Importamos, sem traduções, a tal Black Friday e, de quebra, a Cyber Monday. (Imaginem se aquele projeto de lei do Aldo Rebelo, proibindo estrangeirismos, já tivesse sido aprovado: teríamos a sexta-feira negra e a segunda-feira cibernética. rsrsrs)

Não bastava o Natal ser muito mais um feriado ansiosamente esperado pelos comerciantes do que propriamente uma celebração cristã (o que, ano passado, me provocou um desabafo contra o Natal). Agora temos outras datas sagradas no nosso calendário do consumismo. Em nome do emprego, da produção e do capital — amém!

Black Friday: milhares de fiéis consumidores fazem a festa. Em nome do emprego, da produção e do capital -- amém! Créditos da foto: Steve Rhodes

O que não deixa de ser interessante é essa afinidade eletiva entre feriados religiosos e celebrações consumistas. Não por acaso, a Black Friday nos EUA acontece no dia que se segue ao Thanksgiving (dia de ação de graças). De fato, cada vez mais o consumismo vai assumindo a estrutura de uma verdadeira religião, com seus ídolos (as marcas cultuadas: Apple, Nike, Armani, etc.), seus rituais (endividamento, parcelamento, etc.), suas catedrais (os grandes shopping centers) e agora também seu calendário litúrgico. Só faltam os 10 mandamentos! (Se é que eles já não existem.)

O historiador Lucien Febvre, em O problema da incredulidade no século XVI, vê o ateísmo de Rabelais como uma impossibilidade  naquele tempo dominado pela Cristandade. Naquela época, a temporalidade diária era determinada pelo tempo litúrgico (o horário das missas, das orações, etc.). Cada dia do ano era consagrado a um determinado santo. Ou seja, por mais que Rabelais assumisse uma posição contestatória em relação à Igreja, não era possível fugir a essa totalidade cristã e, portanto, assumir um ateísmo no sentido mais radical.

De modo que nosso tempo parece estar impregnado por essa totalidade capitalista. A temporalidade é dada pelo tempo de trabalho. O tempo não pode ser desperdiçado — afinal, tempo é dinheiro. Ou seja, não há mais tempo a ser desperdiçado com o ócio, pois o que vale em nosso mundo é o contrário, o negócio (nec otium). E, para o tempo “livre”, além do entretenimento produzido pela indústria cultural, temos agora também um calendário para nos dedicarmos à nobre tarefa de consumir.

Não que não existam saídas. Mas é preciso pensar em heresias com relação a essa religião do consumo.

Me dá um cigarro

O cigarro tornou-se um mal necessário para mim. Acho que comecei a fumar estimulado pelas advertências do Ministério da Saúde. Isso mesmo. Fumar dá câncer. Fumar causa impotência. Fumar provoca enfisema pulmonar. E outras ameaças nesse sentido.

Mas, no meu caso, nada é tão ameaçador quanto o futuro. O que me espera? Provavelmente o desemprego. Não sendo tão pessimsita, quem sabe um trabalho de cão, do tipo atendimento em telemarketing ou em cadeia de fast food. Mas, é possível ser mais otimista: posso me tornar um “cyberescravo”, preso por um Blackberry ou por um gadget qualquer, com o qual me torno disponível 24 horas por dia, sete dias por semana — e viva a servidão voluntária moderna!

E tanto trabalho pra quê? Quem sabe pra me aposentar com um salário mínimo, insuficiente para pagar as despesas com o plano de saúde ou com os remédios. Para, depois de décadas de trabalho, passar meus últimos dias num hospital, tratando um câncer incurável qualquer — enquanto os médicos fingem que meu caso tem solução e eu finjo que acredito. Para ver que meu trabalho, meu know-how, minha pessoa são completamente desnecessários, dispensáveis, obsoletos.

Deixa disso, me dá um cigarro! Foto: Justin Shearer

Claro que eu nem seria capaz de perceber isso se eu fosse um consumidor exemplar. Se eu me devotasse, do fundo do meu coração, ao consumismo, provavelmente estaria salvo dessa miséria espiritual. O consumo salva, meu filho. Para que pensar no futuro? Se eu consumisse como mandam as escrituras, as imagens, os vídeos e todos os apelos midiáticos da publicidade, teria tanto gozo no presente que sequer me importaria se não houvesse amanhã. As divídas, ah, as dívidas, para que pensar nelas? Sempre existe um cartão de crédito para te amparar num momento de dificuldade.

Ademais, a ética do consumo é simples e acessível a qualquer um: basta abrir uma Coca-Cola e integrar o exército dos bons. Afinal, os bons são maioria — ruins são  os que lidam com política. E os bons, além de tomar Coca-Cola, só consomem aquilo que faz bem pra saúde (como o refrigerante, que nem tem açúcar — nem valor nutricional — nas suas versões zero) e pro meio ambiente (como  os carros “verdes”, que nem poluem — nem causam congestionamentos).

Por falar em saúde, virtude fundamental do devoto consumidor — ou consumidor devoto, acho que dá no mesmo — , deve-se praticar atividade física regularmente, ter uma alimentação balanceada, frequentar os médicos com regularidade, tomar suplementos alimentares, ter uma postura relaxada, enfim, seguir todas as recomendações dos profissionais da saúde e dos gurus da autoajuda. Se você não consegue dar conta de tudo isso num ambiente de competição exacerbada por seu lugar ao sol no mercado de trabalho, sinto muito meu amigo, o problema é com você, seu incompetente!

Evidentemente que essa patranha uma hora deixa de fazer sentido, e você se dá conta de quanto está sendo enganado. Por mais que você consuma, nunca consegue diminuir sua frustração. E aí vem a depressão. E com ela, duas opções: Prozac e seus congêneres, ou encarar a realidade. Escolhi a segunda. Não digo que não me arrependo. Mas advirto que a realidade pode ser absurdamente sem sentido. Nessas horas, você chega a pensar em se matar. E foi isso que eu decidi. Só que preferi me matar em prestações a fazê-lo à vista, de uma vez. Por isso, parafraseando o Oswald de Andrade — tema da FLIP deste ano — , deixa disso camarada, me dá um cigarro.