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Como sempre, trabalhando como nunca

Primeiro de janeiro. Ano novo. Dia de comemorar, ou pelo menos curar a ressaca da noite anterior. Dia de fazer planos, ainda que promessas pouco factíveis de serem cumpridas. É, sem dúvida, um momento especial. Um novo ciclo se inicia e inspira as pessoas a sonhar com dias melhores e a celebrar essa chance de virar o jogo.

Em meio a esse clima festivo, no entanto, há gente que está, como sempre, trabalhando como nunca.

São as trabalhadoras e os trabalhadores da saúde, da segurança, da organização dos eventos, da limpeza, entre tantos outros que não abandonam a rotina nessa virada de ano. Ou melhor, saem da rotina ao trabalharem mais que o normal.

Garis trabalhando no ano novo. Foto: Blog do Milton Jung

Garis trabalhando no ano novo. Foto: Blog do Milton Jung

Em Copacabana, por exemplo, foram recolhidas 368 toneladas de lixo. Para sumir com tamanha quantidade de lixo, só com uma verdadeira mobilização de guerra.

Se não fossem esses heróis anônimos, estaríamos todos às voltas com nossos pequenos pesadelos do cotidiano: de não conseguir atendimento médico em caso de urgência a ficar sem papel higiênico por falta de quem vendesse.

Então, como estou meio sem imaginação para novas promessas e votos de feliz ano novo, vou começar 2014 fazendo algo mais útil — e mais justo também. Vou fazer um agradecimento especial a toda essa gente que trabalhou nesses dias de virada de ano. Talvez ninguém sonhe em trabalhar nessas datas. Não fosse esse sacrifício, porém, sequer seria possível sonhar ou festejar qualquer coisa. O ano novo só pode ser feliz por causa do suor dessa gente.

Novos votos para o ano novo

E hoje começa 2013. Mais um ano ficou para trás e um novo ciclo se inicia. Novo? Foi isso o que eu disse? A julgar pelos votos, feitos naqueles momentos que antecedem a virada dos ponteiros do relógio para a meia noite do dia primeiro, tudo parece uma eterna repetição. As pessoas desejam umas às outras saúde, sucesso profissional, sorte no amor, dinheiro no bolso ou, simplesmente, felicidade.

Acho tudo isso muito salutar e cordial. É bom ver que, pelo menos no plano do discurso, as pessoas adotam uma postura de respeito e estima pelo próximo.

Nessa passagem de ano, porém, confesso que senti uma certa dificuldade em proferir essas palavras melífluas. Gostaria de dizê-las com maior naturalidade, mas acho que meu lado ranzinza, além de um certo ceticismo diante dessa boa vontade entre os homens, detiveram um pouco esses tradicionais votos por um segundo a mais na minha boca, fazendo com que eles saíssem com um tom meio mecânico, por força do hábito.

Mas agora que estou escrevendo, e de certa forma posso me explicar, gostaria de fazer votos que posso expressar com mais sinceridade.

Continuo desejando saúde a todo mundo. Mas que ela não seja uma preocupação meramente individual. A saúde é construção coletiva. Não apenas por conta da conduta responsável que temos que assumir para evitar a disseminação de doenças. A saúde é também um direito e, portanto, uma garantia que oferecemos socialmente uns aos outros. Então, que lutemos por esse direito de todos os cidadãos e cidadãs!

Quanto ao sucesso profissional, à sorte no amor, ao dinheiro no bolso, todos me parecem votos extremamente voltados para um aspecto da vida privada de cada um. E não apenas isso, mas um aspecto que, no mundo em que vivemos, na maioria dos casos, implica numa relação de mútua exclusão. Ou seja, o sucesso profissional de um, não raro, depende do fracasso de outros. O que para um pode ser sorte no amor, para outro pode ser um tremendo azar. E, quanto ao dinheiro no bolso, dependendo da fonte dele, sinceramente, é melhor que ele desapareça.

Por fim, aquele voto que parece sintetizar tudo, o voto de felicidade. Pois deixo esse voto de lado neste 2013. “Mas que sujeito mal-amado, desgostoso da vida, amargurado para não desejar felicidade aos outros!”, devem estar bradando indignados os leitores mais sensíveis. Tentarei me explicar. Não sei se serei convincente.

Primeiramente, penso que, por mais tradicional que seja desejar felicidade aos outros, devemos pensar no que é a tal felicidade. A constatação mais paradoxal é que quase todas as pessoas querem ser felizes, embora essas pessoas não consigam oferecer uma mesma definição de felicidade. Apesar do caráter subjetivo, porém, o que se pode notar é que a felicidade, hoje em dia, converge para uma espécie de mescla entre hedonismo e consumismo. A felicidade tem a ver com a satisfação pessoal, isto é, com o aumento do prazer e a diminuição do desprazer. E isso, por sua vez, nos leva ao consumo, atividade tornada quase como a busca da salvação pelos magos da publicidade.

Diante dessa constatação, sou levado a pensar que a felicidade, na nossa sociedade consumista, tem o condão de criar cada vez mais indivíduos egoístas e, ao mesmo tempo, espaçosos. O céu é o limite para os delírios de consumo. E não só isso. A fruição não respeita os limites do outro, e quem dirá os da natureza. Os carros inundam as vias já saturadas de veículos. As músicas invadem o espaço alheio por meio das ondas sonoras amplificadas pela potência dos aparelhos de som, ligados no último volume. O lixo de toda essa fruição entulha as ruas. Como diz Ben Folds na canção All U Can Eat: “they give no fuck, they buy as much as they want / they give no fuck, just as long as there´s enough for then” (“eles não dão a mínima, eles compram o tanto quanto querem / eles não dão a mínima, desde que haja suficiente para eles” – numa tradução livre).

Ben Folds – All U Can Eat (ao vivo)

Os indivíduos “felizes”, tomados por uma satisfação instantânea no momento da compra, tentam afastar com esse comportamento expansivo, durante a fruição das suas santas mercadorias, o gosto amargo da frustração, o vazio que vem em seguida. A felicidade, em sua versão capitalista, é um sempre querer mais. Ou seja, é preciso sempre mais um pouco para estar na “zona de conforto”, na qual é possível deixar os problemas do mundo “do lado de fora”. No fim das contas, é, portanto, um sentimento de perpétua insatisfação – porque o que se tem nunca é suficiente para sentir-se pleno.

A felicidade, assim, parece ser uma grande armadilha. E por isso é que eu abro mão de desejar felicidade a quem quer que seja no ano novo. O que não quer dizer que desejo infelicidade aos outros. Pelo contrário. O que eu desejo é que, antes de buscarmos a tal felicidade, tenhamos consciência. Isto é, que nos preocupemos com aquilo que sentimos, mas também com o que pensamos. Que procuremos entender o que é e o que pode ser a felicidade.

Um exercício da consciência parece me indicar que a felicidade é algo que podemos apreciar em certos momentos da vida, quando estamos serenos para experimentar esse estado de especial alegria e singular harmonia. Algo que não depende necessariamente do que compramos ou exclusivamente do prazer que sentimos. A felicidade parece estar além de tudo isso. Contudo, ela é momentânea e não permanente.

Essa não é uma resposta definitiva, mas um esboço daquilo que eu entendo por felicidade. Somente por meio desse esforço consciente é que eu posso ter meus olhos abertos na busca dessa meta, que não é a única da minha vida – embora importante. Graças à consciência é que posso não ser um mero títere da lógica consumista, que sempre evoca novos prazeres e recompensas sentimentais que suas mercadorias podem trazer. De fato, a indústria capitalista não se preocupa com o que nós pensamos, mas com o que sentimos, e volta todo o seu arsenal de produção de realidades para os nossos sentimentos. A indústria capitalista se preocupa que ousemos pensar.

Por tudo isso, peço perdão aos que se aborrecem com a falta do meu voto de felicidade nesse ano que se inicia. Mas, para diminuir essa sensação de frustração, proponho uma troca: troco meu voto de felicidade por um voto de consciência. Que 2013 seja um ano em que a consciência das pessoas se expanda, permitindo-lhes compreender melhor o mundo em que vivem e o lugar que elas ocupam nesse mundo! E, como sempre, saúde como direito de tod@s! Esses são meus novos votos para o ano novo.

O velho futuro e o novo passado

Todo santo dia o sol se levanta a leste e se põe a oeste. Não é diferente em 1º de janeiro: é só mais um dia que sucede o outro.

Mas o calendário novo, pendurado na parede, nos lembra que a Terra deu mais uma volta em torno do astro rei — que mais um ano se passou.

Diante dessa constatação, muita gente se empenha em fechar as contas do ano velho, tentando avaliar as perdas e ganhos dos últimos 365 dias. Uns ficam contentes ao constatar o saldo positivo. Outros, não tão afortunados, lamentam o fato de terem ficado no vermelho.

Mais do que olhar para trás, a mudança de ano estimula as pessoas a mirar o futuro. Ano novo que se preze não começa sem seus planos, seus projetos, seus sonhos, suas promessas e suas esperanças.

O futuro, contudo, incerto que é, escapa aos nossos olhos de simples mortais que somos. Resta-nos a possibilidade de imaginá-lo, de contemplá-lo com os olhos do nosso pensamento.

Sendo assim, todo futuro que se realiza já nasce velho: ele já existiu algum dia em nossa imaginação. Ele já foi previsto, isto é, visto anteriormente (pré-visto). O mesmo se dá com as leis da Física: por meio delas é possível prever o que acontece quando um sujeito dorme debaixo de uma macieira; se ele acorda com uma maçã caindo na cabeça, não há nenhuma novidade nisso.

De modo que, sinceramente, prefiro poupar o ano que começa dos meus planos. Só tenho planos na medida do necessário. Só tenho projetos com prazos de validade condizentes com esse mundo doido em que tudo que é sólido desmancha no ar. Prefiro deixar o futuro, na medida possível, desembaraçado das amarras da previsibilidade. Em suma, não faço questão do velho futuro.

Ao invés disso, prefiro deixar espaço para me surpreender com os novos significados que a minha experiência adquire com o passar do tempo. É como uma partida de Tetris, que se modifica a cada nova peça que entra em jogo. Às vezes, o que nos parecia bom passa a nos desagradar. Às vezes, o inverso. As novas experiências que se somam às mais antigas podem modificar completamente o sentido da nossa narrativa, a que chamamos vida.

De modo que, se posso esperar alguma coisa de 2012, é que daqui a um ano eu possa me surpreender com meu novo passado.

O tempo não para

Há pouco mais de um ano, eu começava a escrever este blog, no embalo de uma promessa de ano novo. Felizmente, essa promessa se tornou realidade. Agora espero continuar a interminável construção desse refúgio virtual, tijolo por tijolo, quero dizer, post por post. Ainda que muitas vezes eu venha a dizer alguma coisa num dia para desdizê-la no dia seguinte. De todo modo, vamos em frente. Como o poeta já dizia: O tempo não para.

Recapitulando…

Pra tentar resumir em poucas linhas a atividade do blog em 2010, vou apelar para os números. Dizem que os números não mentem. Embora eu não concorde muito com essa afirmação, devo reconhecer que às vezes os números podem ajudar… como agora, por exemplo. Pois bem, seguem alguns números do blog em 2010:

.visitas: 726

.posts: 99

.dia mais movimentado: 21 de julho de 2010 (22 acessos)

.posts mais acessados:

Se não fosse o imprevisto, não valia a pena viver (27 acessos)

Uma caixa preta chamada urna eletrônica (27 acessos)

É inacreditável! (25 acessos)

O Ubuntu 10.04 é 10! (24 acessos)

Mais “fogo amigo” (21 acessos)

Daqui pra frente…

Daqui pra frente vai ser diferente! Vai? Sinceramente, não sei. Evidentemente, vou procurar melhorar na medida do possível. Se você, leitor, tiver alguma sugestão, não hesite em deixar um comentário.

Abraço!

E, antes que eu esqueça ou fique mal humorado:

Feliz 2011!

Promessa de ano novo

Nenhum dia do ano é mais convidativo a uma promessa do que o dia 1º de janeiro. Com a mesma facilidade que os dígitos do ano mudam no calendário, sentimo-nos capazes de abandonar antigos vícios, mudar posturas arraigadas e colocar em prática novos projetos. E é aproveitando esse espírito de ano novo que eu pretendo iniciar esse blog, um espaço para registrar relatos do cotidiano, fazer algumas especulações filosóficas, registrar meus comentários sobre os produtos da indústria cultural, discutir futebol e outras ladainhas — ainda não sei bem o que vai dar.

Bom, mas de todo modo, desejo a todos um feliz 2010, com muita saúde, paz, sucesso e etc. Que possamos, na medida do possível, alcançar êxito em nossos projetos — neste blog, inclusive. É isso. Para o primeiro post já escrevi demais.