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Rubem Alves: ostra de muitas pérolas

 

Rubem Alves. Foto: Instituto Rubem Alves

Rubem Alves. Foto: Instituto Rubem Alves

Ontem, recebi com pesar e surpresa a notícia da morte de Rubem Alves, escritor, educador, poeta, filósofo e tantas outras coisas.

Não o conheci pessoalmente, apenas pelos seus escritos e entrevistas. Mas foi o suficiente para me sentir cativado. Seja pela sua fala, ao mesmo tempo mansa e apaixonada pelos assuntos de que se ocupava. Seja pelo jeito singelo de tratar de questões tão profundas e complexas: Deus, a vida, religião, política, educação… tudo assumia uma impressionante simplicidade nas suas metáforas.

Uma das mais conhecidas é a da ostra e das pérolas. Justamente aquela que dá nome a um de seus livros mais populares: Ostra feliz não faz pérola. Segundo essa metáfora, uma ostra feliz, isto é, que não tem nada que a incomode, não produz pérolas. Pois as pérolas são produzidas por uma espécie de mecanismo de defesa, que procura envolver um corpo estranho que se aloja na ostra. Portanto, assim como as ostras, as pessoas sem algo que as incomode não são capazes de produzir uma pérola – uma obra de arte, um escrito, um pensamento, uma música, enfim, uma obra por meio da qual deixe sua marca. Para produzir essa obra é preciso que o sujeito tenha algum tipo de desconforto, que não é necessariamente um sofrimento doloroso, mas pode ser uma curiosidade inquietante.

E, sem dúvida, Rubem foi dessas ostras que produziram muitas pérolas. Ele soube transformar suas inquietações numa obra vasta e profunda – 160 títulos, publicados em 12 países –, que nos deixam muitos ensinamentos. Entre eles, a de que a morte não é algo a se temer: “Eu não tenho medo de morrer… Só tenho pena. A vida é tão boa…”, dizia ele.

Então, é uma pena que já tenha ido, Rubem. Mas você nos deixou muitas pérolas e, por isso, fica aqui minha gratidão: muito obrigado!

Entrevista de Rubem Alves a Antonio Abujamra no programa “Provocações”, da TV Cultura

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 Há umas semanas atrás, andando no Parque do Taquaral, me deparei com uma exposição inspirada nos textos de Rubem Alves.

Abaixo, algumas fotos da exposição e dos textos:

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Rompendo o silêncio

Minha intenção aqui não é dizer algo relevante. Pelo contrário, devo me perder em linhas recheadas de palavras vazias. Mas qual a razão desse desperdício verbal? Tenho a sensação de que é preciso romper o silêncio. E, para isso, qualquer palavra basta.

Porque o não-dito que se acumula vai se tornando cada vez mais uma massa espessa, compacta, intransponível. Assim, a cada momento, vou sendo envolvido mais e mais por essa neblina. Até o ponto em que não enxergo mais nada. Até o ponto em que me calo. Até o ponto em que desconheço minha voz.

Se estivesse certo da minha solidão neste mundo, talvez não me importaria de me perder nesse vácuo. Contudo, algo me diz que há outras pessoas envoltas nesse manto da quietude. Seres que esperam que uma palavra lhes seja dirigida. Outros que já se esqueceram da sua capacidade de linguagem articulada e se movem furiosamente, querendo atropelar tudo o que cruze seu caminho.

Por isso, meu silêncio me aflige. Não teria eu mais nada a dizer? Um comentário sobre o tempo, um “bom dia” protocolar, uma bobagem qualquer? Estou preso num elevador, junto com toda a humanidade. As pessoas olham para mim. Eu as encaro. A situação me constrange. É preciso dizer algo para tornar esse ambiente mais leve.

Seria esse silêncio apenas um sintoma de que o trabalho está diminuindo minha capacidade de pensar? Não seria de espantar que uma coisa dessas esteja acontecendo. Como sabiamente dizia Maguila, boxeador e figura folclórica, embora talvez querendo dizer outra coisa, “o trabalho danifica o homem”. O problema é que, a essa altura do campeonato, a humanidade já está irremediavelmente danificada.

Bom, então me desculpem, preciso dizer alguma coisa – até como uma forma de reativar meu cérebro (ou o que restou dele). Sei que tudo parece sem nexo e desconexo. E realmente é. O importante é que consegui dizer alguma coisa. O que importa é que estou rompendo o silêncio.

Last but not least

Procurando algo para fazer na tarde de domingo (não porque faltasse o que fazer…), andei fazendo algumas mudanças estéticas no blog, como vocês podem perceber.

Além da inclusão de mais uma coluna, para tentar distribuir melhor os widgets, fiz uma revisão dos links. Excluí os links para sites desatualizados, mas também incluí alguns novos.

E, last but not least, acrescentei um ícone da licença Creative Commons no canto inferior esquerdo, para não deixar dúvida de que o conteúdo produzido neste blog é livre para ser copiado, modificado e distribuído — desde que seja feita a atribuição ao autor e que seja mantida a licença CC (share alike).

Mumonzeki

A partir de hoje vou começar a recuperar alguns posts do meu antigo blog, o Mumonzeki. Mais do que um artifício para superar uma crise criativa, pretendo realizar o resgate de algumas reflexões que tive há alguns anos atrás, e que ainda parecem fazer sentido, colocando-as num espaço em que mais pessoas possam lê-las, conhecê-las, criticá-las, apreciá-las, aperfeiçoá-las.

O primeiro texto que vou tirar do baú chama-se Cirurgia gramática para redução do ego. É uma reflexão sobre individualismo, egoísmo e a nossa maneira de dizer as coisas.

Promessa de ano novo

Nenhum dia do ano é mais convidativo a uma promessa do que o dia 1º de janeiro. Com a mesma facilidade que os dígitos do ano mudam no calendário, sentimo-nos capazes de abandonar antigos vícios, mudar posturas arraigadas e colocar em prática novos projetos. E é aproveitando esse espírito de ano novo que eu pretendo iniciar esse blog, um espaço para registrar relatos do cotidiano, fazer algumas especulações filosóficas, registrar meus comentários sobre os produtos da indústria cultural, discutir futebol e outras ladainhas — ainda não sei bem o que vai dar.

Bom, mas de todo modo, desejo a todos um feliz 2010, com muita saúde, paz, sucesso e etc. Que possamos, na medida do possível, alcançar êxito em nossos projetos — neste blog, inclusive. É isso. Para o primeiro post já escrevi demais.