Com o punho em riste e a cabeça erguida

A novela do “mensalão” chega nos seus momentos finais. A grande imprensa, representante dos setores mais reacionários do país, direciona seus holofotes para a prisão dos réus condenados no julgamento da Ação Penal 470 – mesmo aqueles que ainda têm recursos a serem analisados pela corte.

Como toda boa novela que se prese (pelo menos a julgar pelos roteiros dos nossos noveleiros), o capítulo final é reservado para o castigo dos vilões e a felicidade eterna dos mocinhos. Assim, para fechar com chave de ouro essa novela do “maior escândalo de corrupção da história do país”, nada melhor que aquela cena com os bandidos indo para a cadeia. E a “cereja do bolo” seria, certamente, a prisão dos “chefes da quadrilha”: Zé Dirceu e José Genoíno.

A ficção, que tomou conta de tantos corações e mentes – inclusive daqueles que deveriam julgar com imparcialidade, à luz da razão –, no entanto, foi frustrada pela realidade. Faltou combinar com os russos. Ou melhor, com os petistas. Se alguém esperava que Dirceu ou Genoíno, ao se apresentarem à polícia, escondessem suas faces de vergonha, certamente ficou desconcertado com a altivez dos antigos líderes do PT. Com o punho em riste e a cabeça erguida: foi assim que eles chegaram à Polícia Federal.

Com o punho em riste e a cabeça erguida

Com o punho em riste e a cabeça erguida

Melhor que ninguém, sabem eles que são vítimas de uma injustiça: de um julgamento de exceção, cheio de “inovações jurídicas” que afrotam o Estado Democrático de Direito, com o veredicto pronto desde o início. Um julgamento político, no qual o grande “crime” cometido por boa parte dos réus foi o de pertencer a um partido que colocou em prática um novo projeto de país – um projeto para além do modelo tão estimado pelas nossas elites: o da divisão entre casa-grande e senzala. Melhor que ninguém, os dois conhecerão o grau dessa injustiça, uma vez que serão privados de sua liberdade. Melhor que ninguém, portanto, Dirceu e Genoíno sabem que não têm do que se envergonhar.

Vergonha devem começar a sentir alguns que até agora andavam tão imponentes em suas togas. Quando se derem conta do papel a que se prestaram, violando princípios constitucionais apenas para saciar a “sede de justiça” da opinião publicada, como lacaios obedientes da nossa “elite branca”, provavelmente vão usar suas capas para ocultar o rosto. (Certamente não é o caso do Ministro Levandowski, que apesar das pressões externas manteve-se intransigente na defesa dos princípios do Estado de Direito.)

O fato é que se a novela – ou seria a farsa? – encontra seu desfecho na prisão dos “réus do mensalão”, o final feliz dos mocinhos – entenda-se coxinhas – deve durar pouco. A verdade principia a aparecer. A altivez e a coragem de Dirceu e Genoíno deixam pouca margem para manipulação. Ainda que alguém possa identificar esse gesto como uma demonstração de falta de vergonha de “bandidos imorais” – e não deve faltar nos nossos jornais “colunistas” que o farão –, muitos vão entender a mensagem que há por trás do simbolismo dessa atitude. Muitos vão entender o conflito em meio do qual estamos. Muitos vão entender que é preciso tomar uma posição. Muitos vão perceber a injustiça que está sendo cometida. Muitos vão compreender que uma batalha chega ao fim, mas a luta continua! E, nessa luta, estou com Dirceu e Genoíno – com o punho em riste e a cabeça erguida.

A farsa termina, mas a luta continua!

A farsa termina, mas a luta continua!

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