Um domingo inesquecível, em preto e branco

Acordei lá pelas seis e meia da manhã. Logo em seguida, saí para uma caminhada. Já a essa hora, rojões estouravam aqui e acolá, prenunciando um domingo inesquecível. Pelo menos para mim e mais 30 milhões de loucos, 16 de dezembro de 2012 será sempre uma data especial.

Antes de voltar para casa, lá pelas oito, passei na padaria e o movimento era intenso. Tinha fila para comprar o pãozinho na véspera da decisão do mundial de clubes. Era grande o número de corintianos ostentando suas camisas, principalmente a tradicional camisa branca com detalhes em preto.

Chegando em casa, mal pude terminar o café da manhã. Lá estava eu plantado em frente à televisão para assistir ao jogo, ao mesmo tempo em que escutava a emocionante narração no rádio.

Os primeiros 45 minutos foram um aperitivo de toda a tensão e sofrimento que viriam pela frente. Lembro-me do lance em que, num misto de sorte e reflexo, o gigante Cássio, um dos heróis do dia, parou a bola pouco antes de cruzar a linha do gol. Foi o primeiro gol perdido pelos ingleses do Chelsea. Não bastasse essa defesa providencial, o goleirão do Corinthians ainda realizaria outro milagre na etapa inicial, desviando com um leve toque a trajetória da bola que, num chute de Moses, tinha como endereço certo o ângulo superior esquerdo da meta corintiana.

Mas o Timão não passou só sufoco no primeiro tempo. A nação corintiana também teve momentos para lamentar chances de gol perdidas no contra-ataque. No quesito chances perdidas, Emerson Sheik, o grande nome na final da Libertadores, se superou. O grito de gol ficou entalado na garganta.

De fato, esse grito, que parecia não caber mais dentro do peito de cada um dos milhões de corintianos mundo afora, só foi libertado após uma confusão na área do time inglês. Paulinho veio trazendo a bola, meio desajeitado, para dentro da área. A bola sobrou para Danilo, que se livrou da marcação e bateu para o gol. O chute foi bloqueado por um defensor adversário. Mas nesse movimento a bola subiu. Subiu e encontrou Guerrero. No lugar certo. Na hora certa. E a bola foi da cabeça do peruano para as redes, depois de ter caprichosamente beliscado o travessão.

Eu já estava de pé aguardando a conclusão da jogada. Quando vi as redes se estufando não consegui conter a alegria. Gritei “goooool” a plenos pulmões. Pulei e me joguei no chão. Nunca imaginei que eu conseguisse manifestar tamanho contentamento.

Daí em diante, foi um suplício aguardar até o apito final. Um sofrimento que todo corintiano parece já esperar, mas nunca imagina o quão torturante vai ser. E foi difícil aguentar. Mais quatro minutos de tempo adicional. Um gol anulado – em posição de impedimento – do time azul. E, para finalizar, uma bola na trave no último lance da partida. Pronto. Quem sobreviveu ao teste de nervos pôde, enfim, gritar “é campeão!”, e comemorar uma das vitórias mais importantes nos 102 anos do Timão.

Quem sobreviveu, e é corintiano, vai ter uma manhã – ou uma noite, para os fanáticos que foram acompanhar tudo isso lá no Japão – para jamais ser esquecida. Um domingo inesquecível, em preto e branco.

Um dia mágico, em que cada louco do bando teve seu dia de majestade, orgulhoso por torcer para o campeão dos campeões. Um dia em que o choro se fez riso. Um dia em que o pobre gari, vestido com a camisa alvinegra, ergueu a cabeça e bateu no peito, como quem quisesse dizer “não me amole, meu time é campeão.”

Um dia de festa. Festa em Yokohama. Festa na Paulista. Festa em Itaquera. Festa na favela. Festa democrática, enfim, para a “República Popular do Corinthians”. Porque cada um daqueles que fazem parte dessa nação sabe o que significa o sabor dessa vitória.

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