A polícia dos homens de bens

Mais uma “aula de democracia” da PM de Alckmin

Se o Estado não passa de um comitê gestor dos negócios da burguesia, como afirmavam Marx e Engels no Manifesto Comunista, então a polícia e o exército nada mais são do que o braço armado da classe burguesa.

Essa visão não poderia ser mais adequada ao momento atual. Não porque os marxistas ortodoxos tenham um verdadeiro conhecimento sobre a marcha da história — em muitos momentos a realidade parece tê-los desmentido. Mas é a própria PM do estado de São Paulo, com demonstrações cada vez mais abertas de truculência, que corrobora a visão de Marx e Engels.

A última dessas demonstrações ocorreu hoje, 09/01/2012, quando PMs e guardas universitários tentavam desocupar o espaço estudantil do DCE-Livre da USP — a mesma USP que testemunhou a covarde desocupação da reitoria por 400 PMs no final do ano passado.

Um policial, que conduzia as conversações com os alunos, chegou ao veredicto: “É o seguinte: tem que reformar isso aqui. Vocês têm que sair.” Certamente esperava que os estudantes, como cordeirinhos, deixassem o prédio. Mas o representante da outra parte ousou dialogar. Disse: “Ou tem que ter um acordo entre a reitoria e o DCE, ou tem que ter uma ação legal. Não tem nenhuma das duas coisas.” Contrariado, o PM ainda questionou sobre a legalidade da ocupação. Ficou ainda mais irritado quando o interlocutor lhe respondeu o óbvio ululante: os estudantes estavam ocupando o espaço dos estudantes — e o que havia de errado nisso?

Traído pelas palavras, o policial buscou no exercício da força a forma de exteriorizar sua frustração. E o alvo de sua fúria foi um estudante negro, com dreadlocks no cabelo. O PM queria saber se ele era aluno da universidade. Se fosse, que mostrasse a carteirinha. Ora, e se não fosse? A USP não é uma universidade pública?

Bom, a partir daí, o policial mostrou todo o seu despreparo para agir num ambiente democrático. O rapaz, Nicolas Menezes Barreto, estudante de Ciências da Natureza na EACH da USP Leste, foi abordado com safanões e chegou a ter uma arma apontada pelo policial. Felizmente, seus colegas intervieram, tentando acalmar os ânimos. Felizmente, alguém registrou essa covardia e divulgou na web, denunciando a violência com que age a polícia paulista. Violência que acontece cotidianamente nas periferias, favelas, assentamentos rurais. Enfim, da violência que se volta contra os pobres, negros e movimentos sociais.

Vende-se a ideia de que mais polícia na rua é sinônimo de mais segurança — aliás, esse é o tema de uma peça publicitária veiculada pelo Governo do Estado de SP. Contudo, as ações da polícia deixam cada vez mais claro a quem visam proteger e a que interesses servem. Fica claro que a polícia está sendo utilizada para defender interesses privados.

A desastrada ação deflagrada na região da cracolândia, no centro de São Paulo, está aí para confirmar essa constatação. Sem uma infraestrutura adequada para atender aos dependentes químicos, os “craqueiros” se espalharam pela região central da cidade. Se estivessem preocupados com os drogados, Governo do Estado e Prefeitura teriam há muito que colocar em prática uma política de saúde pública para tentar ajudar os dependentes. Se estivessem preocupados com a segurança dos moradores da região, não induziriam os viciados a buscarem ajuda provocando neles crises de abstinência, durante as quais podem manifestar um comportamento altamente agressivo, efeito da “fissura” pela droga. O que se viu, no entanto, foi uma ação abertamente repressiva, visando a infligir “dor e sofrimento” aos drogados, para que estes deixassem livre o caminho para a especulação imobiliária na região central, mediante o Projeto Nova Luz do prefeito Gilberto Kassab.

Fica claro que a polícia não tem intenção de promover a segurança ou o bem público. Estamos diante do braço armado da burguesia, a polícia dos homens de bens: um instrumento de coerção que se volta furiosamente contra quem quer que se coloque como obstáculo à reprodução do capital.

A Nova Luz do prefeito Kassab: só para os homens de bens

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