Obrigado, Doutor!

04 de dezembro de 2011: um dia de emoções conflitantes para a fiel torcida corintiana. O dia começou triste com a notícia da morte do inigualável ídolo Sócrates. No início da noite, veio a euforia com a conquista do quinto título brasileiro. Um dia de dor, sofrimento e lágrimas. Mas também de alegria, celebração e sorrisos. Um dia que representa um pouco do que é ser corintiano: torcer, sofrer, chorar, enfim, vibrar junto com o time em cada momento — e, quem sabe, sorrir no final.

Não que o título vá restituir a falta que o Magrão fará à nação corintiana. E não apenas à nação corintiana, diga-se de passagem. O Brasil perdeu um Brasileiro com “B” maiúsculo: seu nome era Sócrates Brasileiro.

Esse título também é seu, Doutor! Créditos da charge: Carlos Latuff

Sócrates não foi apenas um jogador diferente: não era atleta, mas um artista da bola. Fez do futebol mais do que um esporte. Em 1982, numa inesquecível Seleção Brasileira, elevou o esporte bretão ao status de arte. E, mais que isso, fez do futebol-arte uma forma de expressão da identidade brasileira. Jogou bola não para vencer a todo custo. Tampouco apenas para competir. Jogou futebol por prazer. Jogou futebol para encantar o mundo com seu talento.

Mas não foi somente dentro das quatro linhas que Sócrates deixou sua marca. Culto, Sócrates formou-se em Medicina. Politizado, foi o principal líder da Democracia Corintiana, um movimento marcado pela participação ativa dos jogadores na decisão dos assuntos que diziam respeito ao time. Um movimento sem paralelo no mundo esportivo, levado a cabo num momento em que o país lutava pela redemocratização. Nos últimos tempos, o Doutor manteve sua marca de não fugir das divididas políticas: seja como comentarista ou como articulista, ele não poupava críticas à atuação dos políticos e, principalmente, dos dirigentes esportivos — entre eles, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez.

Sócrates, que tão brilhantemente desconcertava os marcadores com seus toques de calcanhar, não conseguiu, contudo, driblar a morte. Entretanto, o destino parece ter caprichosamente preparado sua saída de cena, num dia do mais corintiano sofrimento e da mais corintiana alegria. Num dia em que Sócrates deixa definitivamente o nosso mundo, o dos simples mortais, e ganha de vez a eternidade. A mesma eternidade do alvinegro do Parque São Jorge, que ele tão brilhantemente defendeu: a de estar eternamente dentro dos nossos corações.

Por tudo isso: obrigado, Doutor!

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