Sob o Império do medo: o legado de 11/09/2001

11 de setembro de 2001. Dois aviões se chocam contra as torres gêmeas do World Trade Center em Nova Iorque. O mundo não seria o mesmo depois desse dia.

O governo norte-americano, liderado por George W. Bush, em reação aos atentados, declarou a Guerra ao Terror. O terrorismo, inimigo invisível, deveria ser derrotado a todo o custo, de modo a reestabelecer a paz e a segurança na América. E, de fato, esse programa lançado por Bush não conheceu limites.

Militarmente, a simples condição de ameaça já era suficiente para mobilizar a máquina de guerra americana contra um suposto inimigo. O Iraque de Sadam Hussein que o diga: sob suspeita de possuir armas de destruição em massa, foi invadido pelos EUA em 2003. Depois da invasão, a suspeita não foi comprovada.

Financeiramente, os gastos do governo americano — principalmente na área militar — também não conheceram limites. A dívida pública norte americana saltou de US$ 5,62 trilhões em 2001 para US$ 14,3 trilhões em 2001. Esse crescimento fabuloso do endividamento público quase levou os EUA à moratória, diante do impasse para a elevação do teto da dívida pelos congressistas no meio deste ano de 2011.

E, o que é mais significativo, o direito deixou de ser o limite do Estado norte-americano. Em nome da preservação da segurança e do combate ao terror, a violação da privacidade dos cidadãos passou a ser prática comum. A intolerância religiosa, principalmente contra os muçulmanos, também adquiriu seu estatuto de legitimidade. Os direitos humanos, por sua vez, foram jogados no lixo com as arbitrariedades praticadas contra os prisioneiros de Guantánamo.

September 11th

Depois do atentado às torres gêmeas em 11/09/2001 o mundo não foi mais o mesmo. Foto: Marc AuMarc

E qual foi o saldo dessa guerra sem limites? Vivemos hoje num mundo melhor? Ao menos, num mundo mais seguro?

Não é difícil perceber que o único vencedor nessa guerra foi o medo. E, evidentemente, aqueles que se utilizam dele como instrumento de dominação.

Pois sob o Império do medo, qualquer um é suspeito já de antemão. Portanto, todos são potencialmente inimigos de todos. A guerra generalizada, que em Hobbes levou os homens a celebrarem um pacto mútuo de submissão a um soberano, reaparece. Mas agora, como uma guerra internalizada, um conflito permanentemente latente. As pessoas devem ser protegidas delas mesmas.

O Estado, esse grande Leviatã que deveria garantir a paz, acaba por inculcar a guerra na mente das pessoas. Pois se o inimigo é invisível, a ameaça é onipresente. A Guerra ao Terror é a Guerra de Todos contra Todos na cabeça de cada um. E, nesse estado de coisas, a submissão dos súditos deve ser eterna. O Leviatã descobriu seu elixir da longa vida no medo das pessoas. Eis o legado de 11 de setembro de 2001.

Poderá a esperança vencer o medo?

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