Jobim, a presidenta agradece sua “sinceridade”

Depois de dizer o que bem entendia, Nelson Jobim tornou insustentável sua permanência no Ministério da Defesa. Ele, que já não contava lá com grande simpatia da ala petista do governo, bem como dos movimentos sociais que apoiaram Dilma nas eleições, não conseguiu conter seu excesso de “sinceridade”.

O fato é que, primeiro, num discurso proferido na comemoração do aniversário de 80 anos de FHC, o então ministro se referiu a certos “idiotas”, sem dar nome aos bois. O contexto da fala parecia indicar que a menção nada elogiosa se dirigia a seus pares no governo federal. Embora tenha jurado de pé junto que não foi essa a intenção, o fato é que a declaração causou um mal estar.

Para piorar a situação, Jobim resolveu mais uma vez mostrar sua “sinceridade” ao declarar ter votado em José Serra nas eleições presidenciais de 2010. Que o voto é uma escolha pessoal, ninguém questiona. Mas o que se passou na cabeça do Ministro da Defesa para que declarasse ter votado contra o próprio governo do qual era parte? Além da incoerência como político, não ficaria caracterizada uma insubordinação fosse ele militar? Que general, brigadeiro, almirante poderia admitir uma tal quebra de hierarquia?

Ao que parece, Jobim já estava acenando com o pedido de demissão há tempos. Se tivesse alguma intenção de permanecer no governo, ficaria de bico calado, evitando qualquer declaração que pudesse trazer novos embaraços. Mas não foi isso o que aconteceu. A gota d’água foi uma entrevista à Revista Piauí, em que o agora ex-ministro teria criticado as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffman, ressaltando a falta de habilidade política das duas. Jobim negou que tenha dito isso. A revista, no entanto, confirma que essa foi a fala do então ministro.

Por não moderar a língua, Jobim precipitou sua saída. Por que? Por lealdade ao seu amigo José Serra? É difícil de imaginar. O fato é que quem mais ganhou com essa trapalhada toda foi a própria ala petista do governo Dilma, que agora pôde integrar Celso Amorim aos seus quadros. Amorim, que teve atuação destacada quando Ministro das Relações Exteriores do governo Lula, deve fortalecer ainda mais a atuação do PT no governo da presidenta. A gritaria que já começa a se ouvir pelos lados da oposição atesta essa tendência.

E assim Dilma vai fazendo sua política, na mais autêntica mineiridade: “comendo quieta”, enquanto seus adversários vão tropeçando nas próprias pernas. Ou, como no caso de Jobim, se enrolando com a própria língua.

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