Obama e a crise da dívida: a fraqueza do homem mais poderoso do planeta

Depois de semanas de tensão, finalmente, o governo dos EUA conseguiu aprovar a elevação do limite máximo de endividamento público, medida indispensável para que o país evitasse o calote. Sem uma ampliação na capacidade de endividamento do Estado, que já atingia o teto de US$ 14,3 trilhões, seria impossível honrar os compromissos do governo norte-americano. Essa situação vexaminosa foi evitada, pelo menos momentaneamente. Obama deve ter respirado aliviado hoje, quando sancionou a lei que autoriza a ampliação do teto da dívida.

Porém, foi uma vitória de Pirro. Tanto para os congressistas, republicanos e democratas, quanto para o próprio Obama. Sobretudo para o sistema democrático norte-americano. O acordo, embora tenha evitado o vexame do calote, parece ter desagradado a gregos e troianos — ou, seria melhor, a democratas e republicanos. Pesquisas de opinião revelaram que boa parte dos americanos consideraram que seus líderes se comportaram como “crianças mimadas”.  A perda de popularidade de Obama se manifestou inclusive no Twitter, onde o presidente perdeu 36 mil seguidores, por utilizar seu perfil para enviar mensagens sobre a crise da dívida.

O que ficou evidente, de todo modo, foi a fraqueza de Obama na condução das negociações para a elevação do endividamento. De acordo com a análise de Paul Krugman, essa foi apenas mais uma derrota do presidente, que já havia sido “dobrado” pelos oponentes  republicanos, como na questão da reforma do sistema de saúde.

O fato é que o acordo não resolve nem de longe os problemas fiscais do governo americano. A ênfase do acordo é no corte de despesas e, provavelmente, quem mais sairá perdendo são aqueles que dependem dos programas sociais — muito embora esteja prevista a possibilidade de se efetuarem cortes na área militar. Contudo, nada é previsto quanto ao aumento da tributação sobre os mais ricos. Isso implica numa política econômica contracionista, o que em nada contribui para aliviar o grande problema que assola os EUA, o desemprego. Pelo contrário, a inibição do gasto público para estimular a economia deve contribuir para que ela continue descendo ladeira abaixo.

A crise da dívida deixou clara a pusilanimidade do líder da nação mais poderosa (ainda) do mundo. O homem mais poderoso do planeta, ou pelo menos quem deveria ser, demonstrou toda a sua fraqueza. Obama, se não leu, deveria ter lido O Príncipe, de Maquiavel.

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