Wikileaks: desnudando o Leviatã

A revelação de informações de Estado confidenciais, pelo site Wikileaks, têm tirado o sono de muitos estadistas em todo o mundo. Não é para menos. Até agora, as informações divulgadas pelo site já causaram diversos constrangimentos a Washington diante de outros países, ao expor o “lado espião” dos seus diplomatas. Os vazamentos têm repercutido até no Brasil, com destaque para o caso do Ministro da Defesa Nelson Jobim, apontado como um importante colaborador dos norte-americanos. Entretanto, as revelações não representam grandes novidades, se tomarmos as teorias conspiratórias — apenas confirmam algumas delas.

E é o fato de confirmá-las, de desnudar as intrigas de Estado e os verdadeiros interesses subjacentes às políticas internacionais que tem provocado toda a repercussão violenta em relação ao Wikileaks e seu dono, o australiano Julian Assange. Coincidentemente ou não, por ocasião dos primeiros vazamentos, Assange tornou-se procurado da Justiça sueca sob a acusação de abuso sexual.  Dizem as más línguas que o que se pretende, de fato, é prender Assange na Suécia e em seguida extraditá-lo para os EUA, onde vários parlamentares já pedem sua cabeça.

Muitos acusam o Wikileaks de irresponsabilidade: a revelação desses segredos poderia colocar inúmeras vidas em risco. Pode ser verdade. Mas o contrário também é verdadeiro: quantas vidas não estariam em perigo se essas informações não viessem a público? Parece que estamos diante de um copo com água pela metade: se ele está meio cheio ou meio vazio, depende de quem olha.

Wikileaks: os segredos de Estado nunca serão os mesmos

O fato é que há quem acuse Assange de terrorista. A perseguição ao hacker-jornalista, empreendida de forma enérgica, parece confirmar essa opinião, principalmente por parte dos EUA.

Mas, lembremos, foi justamente nos EUA, após os atentados de 11 de setembro de 2001, que se iniciou uma verdadeira neurose em relação ao terrorismo. Neurose que justificou a violação da privacidade de cidadãos norte-americanos e estrangeiros — de passagem pelo território americano — sem precedentes. A pátria que se orgulhava de ser a terra da liberdade se submeteu de bom grado ao controle sistemático dos seus cidadãos por parte do Estado, tudo em nome da segurança e da “Guerra ao Terror”. Uma terra em que a Carta Constitucional se inspira em John Locke, em que o indivíduo estaria protegido do abuso do Estado, parece ter cedido ao medo que apavora o homem hobbesiano, submetendo-se docilmente ao Leviatã.

Mas, o que não estava no script era o surgimento de alguém no meio da multidão disposto a desnudar o Leviatã. Obviamente a reação daqueles que detêm o poder não poderia ser diferente diante dessa ousada iniciativa. Ainda mais quando os cidadãos podem despertar desse estado de medo fomentado pelos próprios Estados e, assim, lutar para recolocar os “pingos nos is”. Afinal, por que os Estados, que cuidam dos interesses públicos, deveriam ter segredos perante seus cidadãos? E por que seus cidadãos deveriam escancarar sua privacidade para os Estados?

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