Reocities salva!

Antes que alguém venha me dizer alguma coisa, já vou me adiantando: não, não errei no título do post. É Reocities mesmo, e não Geocities, como costumava ser… E, afinal, o que (ou quem) vem a ser o tal Reocities? E por que ele salva?

Vou explicar: talvez vocês não saibam, mas o Geocities foi um dos serviços pioneiros da web na hospedagem gratuita de páginas (ao lado de tantos outros, como Xoom, Tripod, etc.). Antes da explosão dos blogs e wikis, em meados da presente década, as páginas pessoais na internet — as homepages — eram o principal meio de expressão dos internautas. Eu mesmo tive uma homepage no Geocities, serviço que em certa altura foi adquirido pelo Yahoo!.

Pois bem. Com a decadência das homepages, ofuscadas pelos blogs, microblogs e redes sociais, o Yahoo! decidiu  descontinuar o Geocities no ano passado. A data oficial do “falecimento” do Geocities foi 26/10/2009.

Até aí eu estava resignado com o fato de o meu primeiro empreendimento virtual, a Kimpara’s MangáZine, que estava hospedada no Geocities desde 1998, ter virado tão somente história pra contar. É bem verdade que eu tenho uma cópia dos arquivos da homepage aqui comigo, e até por isso mesmo nem me preocupei muito, pensando “afinal, quem vai querer acessar aquela velharia?”

Mas eis que estou na aula de Esperanto (espero em breve postar alguma coisa nessa língua muito interessante), quando o professor, ao contar sobre suas viagens, mencionou que tinha uma página sobre elas na internet, mas que esta infelizmente foi tirada do ar, já que estava hospedada no Geocities. E então falou do tal Reocities…

Felizmente nem todo mundo se resignou diante do encerramento unilateral do Geocities! Os caras do Reocities simplesmente salvaram os dados e a estrutura de diretórios do Geocities e recuperaram as páginas pessoais do esquecimento! (Ao que parece esse processo de recuperação ainda está em andamento.)

Minha primeira homepage: salva pelo Reocities!

A página inicial do Reocities (http://www.reocities.com) explica melhor os motivos dessa iniciativa, seu funcionamento e fornece um link para uma petição (um tipo de abaixo-assinado) para que o Yahoo! forneça os dados acumulados no Geocities por mais de uma década para sites dispostos a conservar essas informações.

Ao ler sobre os motivos do Reocities, me dei conta de quão perniciosa foi essa decisão unilateral do Yahoo! descontinuar e — o pior — “deletar” as páginas pessoais hospedadas no Geocities (no sentido de tirar do ar, pois duvido muito que as informações tenham sido apagadas, afinal, hoje em dia informação é fonte potencial de dinheiro).  As páginas do Geocities constituiam uma documentação privilegiada do que foi a internet no seu primeiro surto de popularização, de meados dos anos 1990 a meados dos anos 2000. Muitas histórias, piadas, resenhas, mapas, fotos, vídeos, músicas, enfim, a obra de muita gente — inclusive de gente que não está mais aqui para contar. Um verdadeiro “museu online”. Os caras do Reocities, na sua petição ao Yahoo!, chegam mesmo a comparar a atitude unilateral da empresa como um atentado à cultura humana, similar à destruição de estátuas de Buda no Afeganistão pelo Talibã. Embora reconhecendo as legítimas motivações empresariais de descontinuar um serviço que não “compensava” mais ser mantido, ainda assim a decisão de enterrar o Geocities, sem ao menos permitir uma versão “somente leitura”, demonstrou o desprezo pela criação humana em detrimento do dinheiro. Algo que vai totalmente contra os ideais iluministas que constituíram nossa modernidade, aproximando-se das práticas da Igreja na Idade Média, por meio das quais o conhecimento era destruído (livros queimados) ou monopolizado.

Por essas e outras, não tive como deixar de assinar a petição do Reocities, assim como não posso deixar de parabenizá-los pela iniciativa. Além disso, fiquei muito contente em constatar que a minha primeira homepage continua viva! O endereço é quase o mesmo da época do Geocities, agora com o R no lugar do G: http://www.reocities.com/Tokyo/Gulf/1997. Valeu Reocities! Reocities salva!

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