O ranzinza e os sem noção

Ultimamente, tenho me assustado com minha própria irritação diante de certas situações. Mais especificamente, pequenos contratempos cotidianos.

Vou tentar rememorar aqui algumas dessas situações e avaliar se sou eu quem está ficando ranzinza ou se, de maneira geral, as pessoas estão perdendo o bom senso.

Situação 1: tentando atravessar uma via de duas pistas, na faixa de pedestre. A faixa de pedestre, ao menos no estado de SP, se tem alguma utilidade deve ser a de ornamentar as ruas. Quando está num cruzamento sinalizado, não raro os pedestres atravessam a rua fora da faixa. Quando não há semáforo, é difícil encontrar uma boa — e cidadã — alma que pare o veículo para o pedestre atravessar. Só que não basta UMA boa alma quando se está numa via com duas pistas. E esse foi precisamente o meu caso. O carro que vinha na pista da direita reduziu a velocidade e parou. Se eu não fosse macaco velho, bem que eu poderia ter me posto a atravessar a rua. Mas como eu já tinha conhecimento desse caráter decorativo da faixa de pedestre, me contive. Não deu outra: o carro que vinha na pista da esquerda veio à toda. Além de ter ficado irado por não ter conseguido atravessar a rua, fiquei também constrangido pelo motorista que não fez mais do que a obrigação de parar o carro.

Situação 2: no restaurante universitário. O RU é evidentemente um grande ponto de encontro dos estudantes de toda universidade, dos mais diversos cursos. De modo que “bandejar” é também um evento social. Que as pessoas vão se encontrar e vão querer conversar, me parece óbvio. O que não acho óbvio e realmente não entendo são os pontos em que as pessoas vão se reunir para conversar. Ao invés de se servirem primeiro e conversarem depois, durante a refeição, o que acontece com frequência é ver uma galera conversando em pontos críticos para a circulação do grande volume de pessoas. O povo fica batendo papo perto das catracas — atrapalhando quem quer passar — , ou nas pias para lavar as mãos — enquanto tem um monte de gente esperando para usar as pias — , ou bem na entrada do “corredor” em que são formadas as filas. Além dessa irritação com o lugar inoportuno para deixar as fofocas em dia, o que me deixa realmente doido — tendo que contar até 100 pra me segurar — são os “espertinhos” que insistem em furar fila. A impressão que tenho em alguns casos é de que o furador(a) em questão vai passar mal se não tirar alguma vantagem naquele dia. Alguém poderá dizer “ah, mas fulano encontrou uns amigos na fila, mais à frente, e como ia almoçar com a galera, acabou pulando alguns lugares.” Minha resposta: “sinto muito, mas se quiser fazer isso, tem que ser com o consentimento de todo mundo que está sendo passado pra trás; além disso, se o pessoal com quem ele(a) vai almoçar é realmente amigo, pode bem esperar ou guardar um lugar na mesa.” Nessas horas eu amaldiçoo o homem cordial.

Situação 3: calçadas em geral. Eu tenho uma teoria sobre a distribuição das pessoas nas calçadas. Minha experiência diz que se duas ou mais pessoas caminham juntas, elas tendem a maximizar a ocupação da largura da calçada na qual andam. Chega a ser curioso, mas isso ocorre na grande maioria dos casos em que eu presto atenção. Bom, até aí, nenhum problema. O problema é quando você vem em sentido contrário, o povo está vendo que você vem, mas continua na mesma, no mesmo comportamento maximizador da ocupação da largura do passeio. O que custa alguém se deslocar pra frente ou pra trás, fazer uma fila indiana? Realmente não sei qual a dificuldade. O que eu sei é  que o povo prefere continuar lado a lado ocupando toda a calçada, obrigando que eu ande pela rua, a despeito do risco de vir um veículo. Isso também me deixa p da vida.

Situação 4: no ônibus. Como usuário do transporte coletivo, sei que existem horários de maior e menor demanda e, em alguns casos, pode-se escolher à vontade um lugar para se sentar e viajar confortavelmente. Mas existem também aqueles horários em que o ônibus vira uma verdadeira lata de sardinha e nessas ocasiões, além do evidente desconforto da situação, algumas atitudes me tiram do sério. Por exemplo: o(a) folgado(a), se senta confortavelmente no banco do corredor, despeja suas coisas no banco da janela, enquanto todo mundo está num aperto só — será que ele(a) não vê que o ônibus está cheio?

Situação 5: levando o cachorro pra passear na rua. Observo não raramente alguns donos(as) de cachorro irresponsáveis que saem com seu animal pra passear, com a finalidade única de que seus animais façam suas necessidades fisiológicas na rua. Recolher as fezes do animal com um saquinho parece estar fora de questão se não há alguma coerção — multa ou coisa do tipo. Não tenho nada contra os cães, mas com os animais que os levam para sujar a cidade. Isso mostra o desprezo pelo espaço público: pra essa gente a rua é privada.

Essas são só algumas das situações que eu me lembrei agora. Pode até ser que eu esteja ficando velho e ranzinza, mas que tem muita gente sem noção, disso eu não tenho dúvida!

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