Dia sem Globo — ou o poder da mobilização social espontânea

Parece que os dias da mídia de massa está com seus dias contados. Pelo menos naquele modelo em que uma determinada mídia de grande alcance dita um determinado padrão a uma massa amorfa, sempre pronta a tomar os contornos a ela impostos pelos barões dos meios de comunicação.

Esse foi por muito tempo o paradigma da TV. Invadindo milhões de lares com suas ideias e valores. Manipulando quase sem resistências a “opinião pública”. Impondo um padrão de comportamento, de consumo, de discurso.

Ainda que, em certa medida, esse paradigma ainda continue vigente — compare-se, por exemplo, o número de domicílios brasileiros que possuem um aparelho de televisão e o número daqueles com acesso à internet –, ele começa a apresentar suas primeiras rachaduras, apontando na direção de uma superação.

Globo e você? Nada a ver!

O novo paradigma que se mostra no horizonte, tendo como base “material” a internet, se fundamenta numa produção descentralizada de informações, na rápida propagação destas, na mobilização espontânea dos produtores-consumidores da informação, na organização e reorganização quase instantâneas dos fluxos comunicacionais. Não há mais aquela separação rígida entre quem produz e quem consome a informação, bem como os canais pelos quais ela flui se tornam múltiplos e dotados de grande agilidade.

Uma demonstração desse poder de mobilização social espontânea, por meio da internet, foi o fenômeno “Cala a boca Galvão”: essa frase permaneceu por mais de uma semana nos TrendingTopics (os temas mais postados) em escala global no Twitter. Tal foi o poder da campanha que o próprio Galvão Bueno não teve como ficar indiferente a ela, isso sem contar a capa da revista Veja tratando desse fenômeno da internet.

O mais interessante é que, apesar de dispersa e descentralizada, uma campanha como essa conseguiu elaborar várias estratégias de ação para manter seu apelo. Houve até a criação de hoaxes (boatos) bem-humorados, a fim de iludir os usuários estrangeiros do Twitter, dizendo que “Cala a boca Galvão” seria uma campanha para proteger os passáros da espécie Galvão, ameaçados de extinção. A ação e a estratégia criativas caminham lado a lado nesse tipo de iniciativa.

Os meios de comunicação convencionais, ao noticiar esse fenômeno internético, talvez tenham inesperadamente inflado a confiança do poder de mobilização da multidão digital. A última campanha que está sendo propagada no meio digital é o “Dia sem Globo”: uma ação que pretende minar a audiência da Vênus Platinada neste dia 25/06/2010. Um empreendimento ambicioso, é verdade — principalmente se tomarmos o alcance ainda relativamente restrito da internet.

Mas não devemos duvidar do poder da mobilização social espontânea. Pode ser que nesse momento ela não seja capaz de impor uma derrota significativa à toda poderosa rede de TV dos Marinho. De todo modo, a rápida e organizada articulação de milhares de internautas em torno desse objetivo é, por si só, uma prova mais que contundente do potencial da multidão nesse novo paradigma informacional. Os barões da mídia convencional que se cuidem.

Como estamos em tempo de Copa do Mundo, não custa alertar: a zebra pode dar as caras (nas quatro linhas ela já deu o ar da graça, deixando de fora as atuais campeã e vice, Itália e França, respectivamente). O Dunga já deu sua resposta ao jugo global. Agora, quem sabe, hoje se torne um dia para entrar na história: o dia que marca o início do fim de um império. O dia em que as pessoas deram um grande passo na luta pelo direito à informação.

Portanto, não se esqueça: 25/06/2010 — Dia sem Globo. Assista o jogo na Band. Divulgue essa campanha.

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