Em memória do Trabalho

Hoje, dia 1º de Maio celebramos o Dia do Trabalho.

Pena que o Trabalho hoje esteja moribundo, praticamente morto.

Como já disse num post anterior, por Trabalho entendo essa relação salarial específica do sistema capitalista, relação fundada na exploração — uma relação de dominação, que se manifesta numa espécie de “escravidão voluntária”. Graças ao sacrossanto Trabalho, as pessoas têm de perder suas vidas em ganhá-la.

De fato, a celebração do Dia do Trabalho só veio a ser institucionalizada contemporaneamente, como resultado de lutas operárias. Lutas que transcorreram no âmbito capitalista, dentro da lógica do conflito de classe entre burguesia e proletariado. Trata-se, portanto, desse Trabalho que se apresenta como relação de dominação, e não aquele no sentido antropológico, de atividade humana.

Embora já se disponha de uma bagagem tecnológica suficiente para nos vermos livres desse caráter opressor do Trabalho, tanto a esquerda quanto a direita insistem na necessidade de mais trabalho. Os avanços tecnológicos, ao invés de significar uma liberação humana — muitas vezes a liberação de tarefas insalubres e degradantes –, acabam significando desemprego. A tecnologia, ao invés de conduzir a uma sociedade emancipada, conduz a uma sociedade desempregada. Isso em virtude da relutância em superar o “fetiche do trabalho”.

sweatshop

O trabalho dignifica o homem?

“Fetiche do trabalho” que é sustentado tanto por concepções culturais inculdadas durante a ascensão do capitalismo — o trabalho como fonte de dignidade –, quanto por mecanismos de dominação mais sofisticados que sustentam nossa servidão voluntária — tais quais são o crédito e o consumismo.

Mas as condições de mudança estão aí. Tanto objetiva quanto subjetivamente. Dispomos de tecnologias que potencializam ao extremo a capacidade humana de produzir. A falta de identificação do trabalho como elemento central da vida é crescente, principalmente entre a população jovem. A não-classe dos não-trabalhadores, nos termos de André Gorz, cresce ameaçadoramente.

Que em breve não comemoremos mais o Dia do Trabalho, mas o Dia em memória do Trabalho. Isso significará a libertação da humanidade desse jugo que ela mesma criou para si, como efeito colateral de um sistema capitalista. Significará a passagem do reino da necessidade para o reino da liberdade.

P.S.: uma sugestão de leitura: Manifesto contra o Trabalho, do Grupo Krisis.

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