iPad, tecnologia, consumismo e desenvolvimento sustentável

Tenho acompanhado na internet várias notícias e matérias sobre o iPad, a nova criação de Steve Jobs — o qual já foi alçado à condição de um verdadeiro Midas dos tempos modernos.

As opiniões se dividem entre os entusiastas, que veem no novo gadget um aparelho revolucionário; e os frustrados (ou, diria Jobs, os invejosos), que esperavam mais do novo brinquedinho.

iPad

Steve Jobs e seu mais novo brinquedinho

De todo modo, achei muito interessante a análise do Gizmodo Brasil, segundo a qual o iPad é realmente revolucionário, mas faz pouco sentido no Brasil (leia aqui). De maneira resumida, a opinião é que o aparelho é revolucionário por sua facilidade de uso pelas pessoas menos familiarizadas com a informática, além de criar um novo nicho de mercado, de revelar necessidades que as pessoas não sabiam que tinham. Ademais, a estrutura de lojas virtuais para abastecer o novo gadget de livros, jornais, vídeos, etc. é algo que facilita sobremaneira a vida do cidadão médio e consumidor americano — disposto a pagar pelo conteúdo. Por outro lado, o sucesso do iPad no Brasil fica comprometido pela falta desse tipo de estrutura — além da facilidade em se obter o conteúdo por meios alternativos –, sem falar nos altos preços tanto do aparelho em si, quanto dos planos de dados oferecidos pelas operadoras de celular.

Ao ler essa análise, lembrei-me de algumas ideias de Amílcar Herrera sobre desenvolvimento, tecnologia, ambiente e sociedade. Segundo esse pensador latino-americano, o modelo de desenvolvimento a ser adotado pelos países subdesenvolvidos não pode, de maneira alguma, tentar repetir a receita dos países já desenvolvidos. Isso porque as condições históricas são completamente diferentes, inviabilizando a adoção desse mesmo receituário. Ao invés disso, os países em desenvolvimento devem se propor outros modelos de desenvolvimento que não aquele que se mede unicamente pela maior quantidade de consumo. Mesmo porque um padrão de consumo mais racional deve ser um imperativo para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável, que permita a conservação dos recursos naturais a longo prazo. A fim de promover esses objetivos, o processo de transferência de tecnologia deve ser acompanhado, indubitavelmente, de procedimentos de adaptação dessa tecnologia às condições locais (físicas, climáticas, sociais, culturais, etc.), permitindo sua assimilação e melhoria nas condições de vida da sociedade.

Por isso tudo eu pensei que faz muito sentido o artigo do Gizmodo Brasil. Em nossas condições socioeconômicas e culturais, realmente, um gadget como o iPad não faz muito sentido. O que eu não vejo como um demérito de nossa parte. Muito pelo contrário. Um dos caminhos para a liberdade é ter o controle sobre suas necessidades.

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