Pior a emenda que o soneto

Depois da polêmica causada pelas declarações do cônsul-geral George Samuel Antoine, o Consulado Geral do Haiti em São Paulo divulgou uma nota tentando esclarecer um eventual mal-entendido.

Segundo a nota, o cônsul teria se atrapalhado com a língua portuguesa — apesar de estar no Brasil desde 1975 — e se expressado mal. Em nenhum momento ele quis dizer que o desastre era bom para promoção da sua imagem, mas para chamar a atenção do mundo sobre a necessidade de auxiliar o seu país. Reproduzo abaixo o teor da nota:

Diante do trágico acontecimento que atingiu o Haiti e que abalou o mundo, o sr. cônsul George Samuel Antoine, no calor dos fatos e, principalmente por possuir centenas de parentes naquele país, sobre os quais tem poucas informações, sabendo que estão desaparecidos, provavelmente mortos, em comentário, teve seus dizeres interpretados de maneira deturpada.

Lamentamos profundamente o fato ocorrido, apresentado pelo SBT em 14 de janeiro, sendo que a divulgação de pequena parte da conversa levou a uma interpretação equivocada que ora se esclarece. Vez que a frase expressada pelo senhor cônsul do Haiti em São Paulo, fazia parte do contexto de uma conversa que mantinha com um cidadão, que aparece na entrevista, o qual não é repórter e sim presidente do conselho do instituto americano de pesquisa, medicina e saúde pública, trata-se do senhor doutor Roberto Marton, e estava, naquele momento, disponibilizando uma ajuda humanitária, organizando recrutamento de voluntários profissionais da saúde. O doutor Roberto esteve naquele país meses atrás, com o próprio consul, assinando um protocolo de cooperação técnica na área de saúde da mulher.

A dificuldade do senhor cônsul na utilização da língua portuguesa, levou-o a um erro de expressão. Na verdade, a intenção foi enfatizar que o trágico acontecimento no Haiti fez com que o mundo todo voltasse os olhos para os problemas do seu povo. Inclusive aqui no Brasil, possibilitando assim, maior ajuda humanitária para a reconstrução do país.

Nunca teve a intenção de promoção pessoal, e sim a intenção de difundir as dificuldades enfrentadas pela sua gente, que grande parte da população vive abaixo da linha da pobreza, sempre em busca de maior ajuda mundial.

O senhor cônsul nasceu em Porto Príncipe, possui familiares de origem africana, seu bisavô Philippe Guerrier, da raça negra, foi presidente do Haiti (1844/45); sendo que o sr. Antoine veio para o brasil, e em 1975 foi nomeado cônsul.

Esclarece, que em nenhuma oportunidade tomou atitude racista, tendo se expressado, tão somente, que os povos de origem africana são sofredores em várias regiões do mundo. O cônsul jamais criticou a religião africana, mantendo grande respeito por todos os tipos de crenças pela própria característica do seu país.

O cônsul geral do Haiti em São Paulo pede desculpas a quem de alguma maneira tenha se sentido ofendido.

Ok. Em um país democrático todos têm direito de resposta. Agora, como diria Bocage: “pior a emenda que o soneto”.

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